Blog

31.07.2019 | Notícias

E se 21 aviões caíssem por ano?

Atlas da Acidentalidade no Transporte aponta redução de feridos e mortos nas rodovias federais. Os números, no entanto, ainda são muito altos. A edição de 2019, mostra que em 2018, a média de mortos por dia foi de 14,4.   

Atlas da Acidentalidade

O número de feridos e mortos nas rodovias federais brasileiras reduziu de forma contínua e consistente nos últimos quatro anos, aponta o Atlas da Acidentalidade no Transporte, editado pelo Programa Volvo de Segurança no Trânsito (PVST) com dados da Polícia Rodoviária Federal.

Em 2014, quando o estudo foi lançado, eram registrados 100.832 feridos e 8.234 mortos. A edição de 2019 do Atlas, com dados de 2018, aponta um total de 76.555 feridos e 5.271 mortos, uma queda de 36% no número de mortos e de 24% no número de feridos. No mesmo período, a gravidade dos acidentes caiu 40% e a média de mortes por dia reduziu de 22,6 para 14,4.

“É uma redução significativa, que mostra avanços em benefício da segurança no trânsito, mas também mostra que ainda temos muito o que fazer para que os números continuem caindo.  A média de 14 pessoas mortas por dia apenas nas estradas federais ainda é muito alta, a sociedade não pode aceitar isso”, afirma Alexandre Parker, diretor de Responsabilidade Corporativa e Institucional da Volvo.

O total de mortos em acidentes de trânsito, somente nas rodovias federais, corresponde à queda 21 aviões com 250 passageiros por ano. “Se isso acontecesse provocaria uma comoção nacional e, possivelmente, as pessoas não iriam querer viajar de avião. Mas as mortes no trânsito não causam o mesmo impacto. Não provocam a mesma percepção de risco e uma consequente mudança de comportamento por nós, cidadãos brasileiros. É necessário evoluirmos em cultura de segurança, o que pressupõem mudar as nossas atitudes no trânsito,”, declara Anaelse Oliveira, coordenadora do PVST.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) atribui a redução do número de mortos e feridos a dois fatores: uma melhora no comportamento do motorista e a readequação das operações de patrulha policial.

“Embora o comportamento continue sendo o principal motivo de acidentes e mortes nas rodovias, não podemos deixar de sinalizar que há uma parcela da população que está mudando de comportamento, que está mais consciente. Além disso, o planejamento das operações de fiscalização está baseado em dados e, portanto, mais assertivo, com alocação de policiais nos pontos mais críticos em acidentes”, explica Eder Rommel, da coordenação de comunicação da Polícia Rodoviária Federal.

De acordo com dados do Atlas, o comportamento continua sendo o grande vilão no trânsito. Ultrapassagem indevida é a causa de acidente com o maior índice de gravidade 7,3, seguida por desobediência à sinalização, com índice de gravidade de 6,1 e por velocidade incompatível, 5,9.

Acidentes com caminhões

O número de acidentes envolvendo caminhões nas rodovias federais também reduziu nos últimos quatro anos. De acordo com dados do Atlas, de 2014 para 2018 o total de mortos diminuiu em 36,6%, saindo de 3.538 para 2.241, e o de feridos caiu 28,8%, passando de 23.948 para 17.045.

O comportamento também é a principal causa de mortes em acidentes com caminhões. A causa mais fatal é a ultrapassagem indevida, com índice de gravidade de 7,6%, seguida de perto pela desobediência à sinalização, com um índice de gravidade 7,4, e por velocidade incompatível, com gravidade de 6,5.

Minas Gerais e Santa Catarina são os estados com os trechos mais perigosos em acidentes com caminhões em 2018.  Em Minas, o trecho mais perigoso fica entre os km 469 e 478 da BR 251, próximo a Francisco Sá, onde foram registrados 25 acidentes que deixaram 11 mortos e 87 feridos. O segundo trecho mais perigoso está em Santa Catarina, entre os KM 204 e 213, da BR 101, próximo a São José. Foram registrados no local 84 acidentes que resultaram em 5 mortos e 72 feridos.

“São informações que ajudam tanto as empresas de transporte quanto qualquer pessoa que circule pelas rodovias adotar ações e atitudes preventivas e reduzir o risco de acidentes. A região próxima ao município de São José, em Santa Catarina, é um trecho que merece muita atenção, pois está entre os piores trechos há anos, com alto índice de atropelamentos”, argumenta Anaelse Oliveira.

O horário com maior índice de acidentes envolvendo caminhões é entre 14h e 18h. Os mais fatais, no entanto, acontecem entre 4h e 5h da manhã.  A maioria dos acidentes está concentrada nas quintas e sextas-feiras. Já os mais fatais ocorrem aos domingos.

Acidentes com ônibus

 A queda continua do número de mortos e feridos nos últimos cinco anos se repete nos acidentes envolvendo ônibus nas rodovias federais. A edição de 2019 do Atlas aponta que, em 2018, acidentes envolvendo ônibus resultaram em 411 mortos e 4.681 feridos, enquanto os números da edição de 2014 eram de 7.188 feridos e 667 mortes.

Por ser um transporte de passageiros, os acidentes envolvendo ônibus, no entanto, são mais graves em razão do número de pessoas envolvidas.  Em 2018 o total de mortos por 1000 acidentes envolvendo ônibus é de 103, enquanto o total de mortos por 1000 acidentes envolvendo caminhões é de 50.

A causa que mais provoca acidentes graves com ônibus também é o comportamento, porém com algumas variações de índices de gravidade mais altos. Dirigir com velocidade incompatível com a via possui um índice de gravidade de 9,3, seguido por ultrapassagem indevida com um índice de 9,0 e por dormir ao volante, cuja gravidade é de 8,4.

Os dados completos estão no portal www.atlasacidentesnotransporte.com.br

 

Sobre o Atlas da Acidentalidade

Editado pelo Programa Volvo de Segurança no Trânsito, em parceria com a Tecnometrica (empresa de engenharia da informação) a partir da base de dados da Polícia Rodoviária Federal, o Atlas da Acidentalidade no Transporte é o mais completo estudo sobre os acidentes de trânsito nas rodovias federais brasileiras. Apresenta um diagnóstico dos acidentes por tipo de veículo, indicando as principais causas, as mais letais, os dias e horários da semana com maior índice de acidentes e os trechos mais perigosos, com o maior número de mortos e feridos.

 

 

Uma resposta para “E se 21 aviões caíssem por ano?”

  1. Aparecida Keila Silva disse:

    Por mais que reduzimos, precisamos trabalhar bastante a percepção de risco!

    Estamos no caminho certo!

DEIXE UM COMENTÁRIO