BLOG

24.09.2013 | Notícias

Apagão profissional preocupa: jovens não querem ser motoristas de caminhão

A insegurança nas estradas, seja pelo roubo de cargas ou pela má conservação das vias, são as principais barreiras.

paineltarde1

 

O apagão de profissionais provocado pela falta de interesse dos jovens pela profissão de motorista de caminhão foi um dos principais pontos abordados no último painel do Fórum Volvo de Segurança no Trânsito ? O Negócio e o Futuro do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil, realizado em São Paulo. O tema do painel foi ?Motorista profissional de caminhão: a peça-chave do futuro?.

Com mediação de J. Pedro Corrêa, o debate contou com a participação do diretor de segurança da Volvo Trucks Corporation, Carl-Johan Almqvist, da coordenadora de desenvolvimento profissional do Sest-Senat, Emíria Bertino, da consultora do programa Volvo de Segurança no Trânsito Nereide Tolentino,e de Pedro Trucão, jornalista especializado em transportes. O apagão de profissionais foi um dos principais pontos abordados. Atualmente, os jovens não tem demonstrado interesse pela carreira.

Segundo Emíria Bertino, do Sest-Senat, existe a possibilidade da formação de um maior número de motoristas profissionais e estão em andamento projetos para atrair, preparar, qualificar e inserir profissionais no mercado de trabalho. ?A formação de novos profissionais está das diretrizes do Sest-Senat para os próximos cinco anos?, afirmou.

Para Pedro Trucão, a percepção do público sobre o motorista de caminhão precisa mudar para que o quadro seja revertido. ?É preciso mostrar para a sociedade brasileira a importância do transporte e do profissional do volante não só para a cadeia produtiva, mas para o cotidiano das pessoas?, analisou. Segundo ele, não apenas a remuneração afasta os motoristas do mercado, mas a insegurança na estrada, seja pelo roubo de cargas ou pela má conservação.

Segundo Nereide Tolentino, ?a qualidade de vida é a grande barreira para o recrutamento de jovens para o setor?. Para ela, a solução para a falta de motoristas profissionais envolve a melhorias nas condições de trabalho e a valorização da profissão também pela mídia.

A meta Zero Acidentes é viável

A proposta de Zero Acidentes é possível e depende da colaboração individual de cada motorista, afirmou o sueco Carl-Johan Almqvist, diretor de segurança da Volvo Trucks Corporation, no Fórum Volvo de Segurança no Trânsito 2013, hoje à tarde.

almqvist2

?Você pode fazer parte disso dirigindo com mais cuidado, não com tanta pressa, com o objetivo de querer voltar sempre para sua família, para seus filhos?, disse. ?Os acidentes não podem ser vistos como fatos corriqueiros?, ressaltou.

O palestrante apresentou estatísticas sobre acidentes no Brasil e no mundo. Segundo ele, 82% dos acidentes de trânsito envolvem motoristas do sexo masculino e, entre as maiores vítimas, estão pedestres e motociclistas.

Para ele, o motorista de caminhão é uma peça fundamental no futuro do transporte de cargas. ?Em alguns lugares, colocamos qualquer pessoa na direção, pagamos pouco e corremos riscos?. Alqmivist apresentou um perfil do motorista profissional de cargas brasileiro e comentou sobre a importância de uma jornada de trabalho adequada, com os períodos de descanso necessários.

Levantamentos apresentados durante a palestra mostraram que as causas de acidentes estão relacionadas a problemas no veículo (10%), ao ambiente das estradas (30%) e, principalmente relacionados ao comportamento do motorista (90%). Também há a combinação destes três fatores. A desatenção, o cansaço, o uso de drogas, o álcool e as jornadas excessivamente longas estão envolvidos na maior parte dos acidentes.

Almqvist afirmou que um bom ambiente de trabalho, com acompanhamento da saúde periódico do motorista e o envolvimento da família do profissional, resulta em ganhos para o negócio, bem como o treinamento. ?Os caminhões mudaram muito nos últimos anos com novas tecnologias, e continuam a evoluir. É importante conhecer os recursos do veículo, por isso o treinamento é vital?, afirmou.

Segundo ele, quando os motoristas têm boas condições de trabalho, o número de acidentes cai. ?Motoristas treinados trazem ganhos para a empresa, há uma menor rotatividade de profissionais, com maior segurança e saúde no trabalho?, afirmou. 

Pesquisa ajudará setor a estabelecer novas diretrizes

Má conservação das estradas e falta de segurança não foram surpresas. Idade média da frota, de 17 anos entre autônomos e 8 anos nas empresas, agrava a falta de segurança.

painelpesquisa

 

Na foto, os participantes do painel: J. Pedro Corrêa, consultor do PVST, Flávio Benatti, Presidente da NTC & Logística, Martin Bodewig, da Roland Berger Strategy and Consultants e Rogério Bonilha, do Instituto Bonilha de Pesquisa de Opinião Pública

?A pesquisa comprova as percepções sobre os problemas do transporte rodoviário no Brasil. Temos no país uma infraestrutura deficitária, que acaba sendo refletida na imagem do setor e também nas impressões sobre o motorista profissional, como vemos no estudo?. A afirmação é do Presidente da NTC & Logística, Flávio Benatti, durante o painel sobre os resultados da pesquisa sobre a imagem do TRC, encomendada pelo Programa Volvo de Segurança no Trânsito.

O painel contou também com a participação de Martin Bodewig, da Roland Berger Strategy and Consultants e Rogério Bonilha, do Instituto Bonilha de Pesquisa de Opinião Pública e foi mediado por J. Pedro Corrêa, consultor do PVST.

O Martin Bodewig, diretor da Roland Berger Strategy and Consultants, parabenizou a Volvo pela iniciativa de promover a pesquisa. Segundo ele, pontos como má conservação das estradas e falta de segurança não foram surpresas no levantamento. Ele apontou a idade da frota nacional como um dos problemas que agravam a questão da segurança, já que entre os autônomos a média da frota é de 17 anos e, nas empresas, 8 anos de idade. Para ele, o motorista é peça chave neste contexto.

?Ele precisa ter horas de descanso. Em consequência, é necessário o uso de caminhões de maior capacidade ou a contratação de mais motoristas para suprir a demanda. O problema é que há falta destes profissionais no mercado?, analisa.

Os debatedores também abordaram questões levantadas pelos participantes do evento com rejeição à profissão de motorista, o apagão logístico, o pouco interesse na atuação no mercado de transportes, apesar de sua importância; e também a necessidade de um trabalho conjunto entre os modais.

Para os debatedores, a pesquisa é um retrato da realidade do setor de transporte cargas brasileiro. Ela vai enriquecer o debate e permitir a transportadores e entidades estabelecer novas diretrizes.

Pesquisa inédita revela imagem do Transporte Rodoviário de Cargas

Falta de investimentos em infraestrutura e motoristas imprudentes são aspectos negativos apontados. A colaboração no desenvolvimento do país, a dinamização da economia são os pontos positivos.

pesquisa2

Uma pesquisa inédita, realizada pelo Instituto Bonilha, foi apresentada no Fórum Volvo 2013: ?A Imagem do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil?. A pesquisa foi feita a partir de entrevistas com a população e também com formadores de opinião.

Entre as conclusões são apontados pontos positivos do setor na visão dos dois públicos, com destaque para a colaboração no desenvolvimento do país, a dinamização da economia, a distribuição de mercadorias e a geração de empregos.

Os aspectos negativos englobaram a má conservação das estradas, falta de estrutura e investimentos, falta de pontos de descanso para os motoristas e falta de segurança, não apenas nas estradas, mas também relacionada ao roubo de cargas.

A imagem dos motoristas também foi avaliada no levantamento, que mostra a categoria é considerada importante, realizadora de uma bom trabalho e que colabora com o desenvolvimento do país. Por outro lado, os pontos negativos foram a não valorização da profissão, a baixa remuneração e a imprudência dos motoristas nas estradas.

Roger Alm destaca a meta de zero acidentes com produtos do Grupo Volvo

O Programa Volvo de Segurança no Transito (PVST), passa ter o setor de transporte rodoviário como foco principal e a Visão Zero é adotada pela marca no país.

ForumRAlm3

Na abertura Fórum Volvo de Segurança no Trânsito, hoje, em São Paulo, o Presidente Roger Alm, Presidente do Grupo Volvo América Latina destacou o papel fundamental do transporte de cargas no desenvolvimento do país, mas ressaltou a alarmante e inaceitável taxa de acidentes registrados no Brasil. Por isso, o Programa Volvo de Segurança no Transito (PVST), passa ter o setor como foco principal.

?O grupo Volvo estabeleceu a meta de zero acidentes com produtos do Grupo Volvo para as próximas duas décadas. Uma meta ambiciosa e urgente que queremos estender às empresas, aos transportadores, ao setor público e à sociedade civil, Para a construção de um futuro mais sustentável e seguro para o setor?, afirmou.