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18.07.2019 | Notícias

Neste inverno, cuidado com a neblina!

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Seja você motorista de caminhão, de ônibus ou de automóvel, a chegada do inverno impõe cuidados extras nas estradas. De repente, quando você menos espera, está no meio de uma forte neblina. Dependendo do seu grau de preparo para lidar com este problema, a situação pode ser de desespero. Você precisa, então, conhecer um conjunto de dicas para evitar maiores preocupações nestas horas. Compilamos a seguir alguns conselhos que podem ser muito úteis para enfrentar este tipo de dificuldade.

  1. Antes de pegar a estrada informe-se junto à Polícia Rodoviária Federal ou Estadual ou mesmo com a concessionária de rodovia sobre as condições da estrada que você vai utilizar;
  2. Calma, se você entrou numa zona de neblina. Não é o fim do mundo e nervosismo ou apreensão em excesso não vão melhorar as coisas para você;
  3. Diminua imediatamente a velocidade, mantenha o farol baixo e, se tiver, ligue o farol de neblina;
  4. Sob neblina, não use farol alto; ele só vai prejudicar a visibilidade;
  5. Não ligue o pista-alerta; isto pode levar o motorista de trás a entender que você está parado e, assim, provocar acidente com o seu e outros veículos;
  6. Aumente a distância entre veículos. Lembre-se: se você não vê os outros, eles tampouco veem você;
  7. Ajuste o desembaçador e a velocidade do limpador de para-brisa. Acione o sistema interno de ventilação;
  8. Não pare no meio da pista. Os carros de trás poderão não ter tempo de perceber que você parou, podem bater no seu provocando engavetamento;
  9. Não mude de pista. Lembre-se que a visibilidade de quem vem atrás também é precária e pode colidir com o seu carro;
  10. Procure pontos de referência na estrada: “olhos de gato”, faixas e placas;
  11. Use a beira da estrada como guia ou as faixas da pista, evitando o meio da pista;
  12. Se houver um posto de combustível ou um ponto mais seguro para esperar em segurança, saia da estrada, sempre com muito cuidado;

Névoa, neblina ou nevoeiro?

Segundo técnicos da empresa meteorológica Climatempo, neblina e nevoeiro são a mesma coisa. Neblina é o termo mais popular enquanto nevoeiro é mais utilizado por meteorologistas. Já a névoa pode ser seca ou úmida. A primeira é uma mistura de ar com poluição – sua umidade é sempre menor do que a dos outros fenômenos. Já a segunda, assim como o nevoeiro, acontece quando o ar quente e úmido entra em contato com uma superfície fria e se condensa até formar vapor. Ela tem umidade igual ou acima de 80%, forma-se geralmente em altitudes mais elevadas e tem uma visibilidade de 1 a 5 km. O nevoeiro apresenta umidade sempre acima de 90%, acontece no nível do chão e só permite enxergar a até 1 km.

 O que são faróis de neblina, luzes de neblina, e lanternas de neblina?

Um farol normal pode refletir diretamente na neblina, chuva pesada ou partículas de poeira no ar, causando um excesso de brilho e confundindo os olhos dos motoristas, que não poderão ver a estrada de forma adequada. Nessas situações de baixa visibilidade, causadas por partículas no ar, faróis de neblina fazem um importante trabalho.

Faróis de neblina são completamente separados dos faróis normais, instalados a uma distância de 20 cm a 30 cm do solo. São faróis potentes, apontados para o solo, com o propósito exclusivo de iluminar a pista de rodagem para o motorista, e não para iluminar os obstáculos à frente do veículo.

Já as lanternas de neblina são as luzes usadas na parte traseira do veículo durante situações de baixa visibilidade causadas por poeira, chuva ou neblina. As lanternas de neblina são posicionadas na mesma altura das luzes de freio ou abaixo das luzes de freio, a 20 cm ou 30 cm do chão. Essas luzes servem para ajudar outros motoristas, que estão atrás dos veículos, a visualizar outros carros, evitando assim possíveis acidentes.

Atenção para situações de multa: o farol de neblina não pode ser usado na cidade, sendo considerado infração média. Usar o farol de neblina atrapalhando os motoristas que vem na direção oposta na estrada ou usar o farol sem necessidade, podem significar ao motorista uma infração grave. Usar o farol de neblina no lugar do farol baixo nas estradas e rodovias é uma infração média.

Sistema Anchieta-Imigrantes em SP usa novo modelo de comboio sob neblina

A Ecovias, concessionária das rodovias Anchieta e Imigrantes no estado de São Paulo, criou ano passado a Operação Comboio para ajudar usuários nos trechos de serra entre a capital e o litoral, quando a neblina se torna muito densa, com visibilidade abaixo de 100 metros.

Quando a neblina se torna muito forte, a operadora passa a utilizar o Comboio Interligação, represando os veículos com destino à Anchieta no início do trecho da Interligação. A partir dali os veículos seguem em comboio, com maior segurança, até chegar a um ponto onde a visibilidade melhore. Já os usuários que seguem ao litoral paulista pela Imigrantes não serão mais represados e poderão continuar a viagem livremente.

Acidentes sob neblina

Embora o Sistema Anchieta-Imigrantes tenha registros de neblina em todos os meses do ano, menos de 5% dos acidentes ocorrem nessa situação. A maioria das ocorrências se dá com tempo bom e pistas secas.

27.06.2019 | Notícias

As consequências da flexibilização das leis de trânsito

Anaelse Oliveira, coordenadora do Programa Volvo de Segurança no Trânsito

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A segurança no trânsito entrou, recentemente, na pauta nacional devido à proposta de flexibilização da legislação pelo Projeto de Lei 3267/19, que propõe alterações em artigos Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A medida tem gerado discussões e inúmeras manifestações contrárias por parte de profissionais e instituições que atuam em prol da segurança viária. Quem trabalha com esse tema sabe que acidentes de trânsito, além de um grave problema social e de saúde pública, geram enormes prejuízos financeiros para o país, sem contar as perdas irreparáveis de vidas.

Os números nos mostram que os países e as cidades que avançaram na redução de acidentes e mortes no trânsito são aqueles em que a liderança chamou para si a responsabilidade e convocou equipes multidisciplinares para implementar medidas para reduzir o número de mortos.

A cidade de Nova York é um exemplo de como o envolvimento da liderança é essencial para se conquistar avanços. Desde que o prefeito Bill de Blasio decidiu adotar o Vision Zero (Visão Zero Acidentes), em 2014, implementando uma série de inciativas em prol da segurança viária e declarando que nenhuma morte no trânsito é aceitável, o número de vítimas fatais em acidentes vem reduzindo significativamente na cidade.

Em cinco anos, as mortes caíram 34%, saindo de 294 em 2013, ano anterior ao Visão Zero, para 196 em 2018. O prefeito anunciou a intensificação da fiscalização eletrônica de velocidade a partir de julho deste ano, após o governador do estado ter assinado uma lei favorável ao aumento do uso radares para controle de velocidade.

Outro exemplo de que uma política consistente e permanente de segurança viária é a Espanha. O país apresenta uma das taxas de mortalidade mais baixas do mundo. Desde 1989, quando o país atingiu o auge de mortes em acidentes de trânsito, o Departamento Geral de Tráfego (DGT) estabeleceu que a segurança viária é uma questão social de primeira ordem e atua pela redução da acidentes no país. O número de vítimas fatais em acidentes caiu 80%, saindo de 9.344 mortos em 1989, para 1.830 em 2017.  A fórmula do sucesso foi aplicar políticas públicas eficazes e controles rigorosos, campanhas de educação e prevenção permanentes, infraestrutura de qualidade e instrumentos de fiscalização eletrônica.

O relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado no final do ano passado aponta que 48 países de renda média e alta fizeram avanços na meta de reduzir em 50% o número de mortes até o final de 2020, proposto pela Década de Ação Pela Segurança no Trânsito (2011 -2020) da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o relatório, entre as principais medidas que levaram esses países a progredir e alcançar bons resultados, está a adoção de legislação severa para os principais fatores de risco: excesso de velocidade, dirigir sob o efeito do álcool, não utilização de cintos de segurança e capacetes para motociclistas, o mal posicionamento de crianças nos veículos, a falta do uso de sistemas de retenção para crianças (cadeirinhas infantis), entre outros.

O Brasil aparece no relatório como um dos países que obtiveram avanço, mas ainda está muito longe de alcançar a meta de reduzir em 50% o número de mortes em acidentes. Os números absolutos de vítimas fatais passaram de 41.007 em 2015, para 38.651 em 2016.

A fiscalização e a punição pela infração são instrumentos fundamentais para a redução de acidentes de trânsito. Fazem parte do processo educativo da população e do desenvolvimento da cultura de segurança. A experiência vivida em outras nações confirma que flexibilização da legislação vai na contramão dos avanços. Corremos o risco de ver o número de mortos e feridos aumentar ainda mais.

A média de 38 mil mortes em acidentes de trânsito por ano no Brasil continua sendo um número muito alto. São 104 mortes por dia. É como se 126 aviões com 300 passageiros cada caíssem por ano. Isso representa a queda de um avião a cada 3 dias. Se isso acontecesse, seria considerado o caos, as companhias aéreas seriam massacradas e muitas pessoas certamente deixariam de viajar pela percepção clara do alto risco. Mas as mortes no trânsito ainda não causam a mesma comoção e impacto na sociedade.

A maioria das pessoas não tem visão clara sobre o assunto e ainda considera que acidente é algo que acontece pelo simples fato de estarmos em movimento. Essa falta de dimensão do problema dificulta a necessária disseminação de uma cultura da segurança e cada vez mais distancia o país deste ideal. Como resultado, a sociedade em geral também não participa e não exige políticas públicas mais concretas voltadas para esta área.

Nenhuma morte no trânsito é aceitável. Só chegaremos a um futuro com Zero Acidentes se avançarmos no envolvimento e união de diferentes setores: iniciativa privada, academia, governo e sociedade como um todo. Ações como a aplicação de recursos financeiros e humanos, fiscalização, mudança na infraestrutura viária, redução dos limites de velocidade, educação e determinação para até mesmo, em alguns casos, contrariar a opinião pública.

Nós, do Programa Volvo de Segurança no Trânsito, temos trabalhado incansavelmente, há 32 anos, para contribuir com a criação de uma cultura de segurança no país, disseminando informações, engajando empresas, pessoas e instituições. É inegável que houve avanços, mas ainda há muito a conquistar. Como nos exemplos citados, a manutenção ou mesmo o acirramento da legislação de trânsito pode ser de grande contribuição à vida de cidadãos brasileiros, que, assim como você e eu, estão o tempo todo circulando pelas ruas e rodovias do país e que não deseja ser uma das vítimas do trânsito, nem ter um ente querido nessa estatística.

 

26.06.2019 | Notícias

Novos articulados e biarticulados da Volvo começam a circular no BRT de Bogotá

Sistemas BRT de alta qualidade, como o Transmilenio, são considerados uma das soluções para reduzir acidentes nas cidades

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Os primeiros ônibus articulados e biarticulados Volvo que integram o plano de renovação da frota do Transmilenio, sistema de BRT de Bogotá, capital da Colômbia, já estão em operação.  Os novos veículos, 202 articulados e 134 biarticulados de um total de 700 unidades, vão aumentar a capacidade de transporte do Transmilenio, melhorar a mobilidade urbana e garantir mais conforto e segurança para o sistema.

Os modelos são equipados com avançadas tecnologias de segurança, como sistemas ABS, caixa de transmissão automática, freio a disco, EBS (um sistema de controle eletrônico dos freios que oferece mais eficiência e estabilidade às frenagens).

Os veículos também estão preparados para ativação de serviços conectados, como o Gerenciamento de Frotas, que apresenta um verdadeiro raio x da operação em tempo real, e o Controle Automático de Velocidade Volvo, um avançado sistema que usa a conectividade para limitar automaticamente a velocidade máxima do ônibus em pontos críticos, com alto fluxo de pedestres. Em Curitiba, a ativação do sistema nos ônibus que circulam em um dos principais corredores do BRT da cidade reduziu em 50% os acidentes.

Bogotá adotou, recentemente, o Vison Zero, programa de redução de acidentes que tem como diretriz que nenhuma morte no trânsito é aceitável. “É um plano ambicioso e desafiador, que está em linha que está linha com a visão Zero Acidentes do Grupo Volvo, que tem como ideal de futuro zero acidentes com os veículos da marca. As tecnologias de segurança e conectividade embarcadas nos nossos veículos certamente contribuirão para que a cidade avance na meta de redução de fatalidades no trânsito”, afirma André Marques, diretor geral da Volvo Buses Colômbia.

BRT como aliado da segurança

Os sistemas de BRT de alta qualidade reduzem pela metade as colisões fatais na cidade, de acordo com o relatório Sustentável e Seguro – Visão e Diretrizes Para Zerar Mortes no Trânsito, publicado do WRI  ROSS Center for Sustainable Cities e pelo Banco Mundial. O material fornece orientações sobre como criar sistemas de mobilidade seguros para todas as pessoas que transitam nas ruas.

O BRT é uma das oito ações apontadas pelo relatório que, aplicadas de maneira integrada, têm o potencial de diminuir riscos de acidentes nas cidades.  Em regiões planejadas para o transporte coletivo, a taxa de mortes em acidentes é cerca de 20% menor do que nas regiões planejadas para os carros.

“A instalação de um BRT normalmente agrega um conjunto de outras intervenções que contribuem para a redução de acidentes, como a melhoria de sinalização, de infraestrutura para pedestres, a construção de ciclovias e a readequação dos tempos semafóricos”, explica Marta Obelheiro, especialista em segurança viária da WRI Brasil.

Transmilenio

Operando desde 2001, o Transmilenio é um dos principais BRTs do mundo, sendo considerado um dos mais avançados sistemas organizados de transporte coletivo já criados. O sistema transporta atualmente 2,5 milhões de passageiros por dia em Bogotá e região metropolitana. Com os novos veículos, a capacidade do Transmilenio aumenta em 25%.

SVD Transportes implementa ISO 39001 e reduz em 90% o número de colisões

Especializada no transporte de veículos pesados, empresa é a terceira do país a receber a certificação de segurança viária

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Com foco em aperfeiçoar cada vez mais os seus processos e a gestão de seus negócios, a SVD Transportes Rodoviários acaba de conquistar a ISO 39.001, norma internacional que estabelece sistemas de gestão de segurança viária. A empresa é a terceira transportadora do país a receber a certificação.

Desde que iniciou o processo de implementação da ISO 39001, há um ano, a empresa registrou uma redução de 90% no número de acidentes de trânsito. Saiu de uma média de dez colisões, para uma colisão leve por mês nos últimos três meses, em um universo de três mil viagens mensais.

“Essa é uma importante conquista para nós. É a primeira ISO específica para a operação de transporte e tem como foco a segurança viária, um dos pilares essenciais do trabalho da SVD. Somos parte de uma importante cadeia logística e buscamos sempre nos atualizar e nos adequar às melhores soluções para um transporte seguro”, afirma Roberto Trindade, diretor financeiro da SVD Transportes Rodoviários.

Com sede em Curitiba, a empresa é especializada em logística “inbound” e “outbound”, com transporte de veículos pesados sobre prancha ou rodando, e possui outras duas certificações, a ISO 9001 e a 14001.

O principal desafio da empresa foi envolver todos os colaboradores, especialmente os motoristas, para que tivessem a consciência da importância da participação deles para a certificação.  O transporte de veículos zero quilômetros e rodando exige um maior engajamento dos motoristas no processo, pois há pouca tecnologia de monitoramento disponível para este tipo de operação.

“A quebra de paradigma, especialmente quando envolve comportamento, sempre é um desafio. Nosso maior trabalho foi o engajamento dos motoristas no processo.  No transporte de caminhão rodando os motoristas são bastante independentes, enfrentam condições adversas nas estradas e precisam tomar uma série de decisões no trajeto”, diz Trindade.

Para engajar os funcionários nas mudanças e adequações necessárias para ISO 39001, a empresa investe em tecnologias que auxiliam no controle das metas e em treinamentos contínuos. Entre as ações desenvolvidas estão um programa de valorização do motorista, campanhas internas, diálogos semanais sobre segurança e treinamentos de direção defensiva e gestão de riscos.

“Os funcionários estão mais conscientes do seu papel para a segurança viária, adotando uma postura mais preventiva. Atuam como disseminadores de conhecimento, sugerem temas para treinamentos e palestras, e compartilham experiências com os demais. Resumidamente, assumiram uma postura mais colaborativa e cuidadosa”, declara Fabrício Rossato, diretor operacional da SVD Transportes.

Certificação ISO 39001

A norma internacional ISO 39001 foi lançada mundialmente 2012, e publicada no Brasil em 2015. Em 2013, o Programa Volvo de Segurança no Trânsito (PVST) iniciou um trabalho de divulgação da certificação por meio de seminários em diversas regiões do país, com foco na visão de futuro do Grupo Volvo de Zero Acidentes envolvendo os veículos da marca.  Em 2014, para facilitar o acesso à norma, quando ainda não estava traduzida, o PVST publicou o Manual da ISO 39001.

A certificação contempla diversos itens e critérios fundamentais para a gestão em segurança viária pelas transportadoras, como engajamento das lideranças da empresa, motoristas bem treinados e com jornadas de trabalho adequadas, análise dos acidentes para reduzir riscos, programas de renovação e manutenção da frota.

Atualmente, além da SVD Transportes Rodoviários, outras duas transportadoras possuem a certificação ISO 39001: a Jaloto Transportes e a Transpanorama. Outras transportadoras e operadores de transporte urbano do país estão passando pela adequação de processos em busca da certificação.

“Para empresas com processos de gestão mais maduros e outras certificações, como a IS0 9001 ou SASSMAC, é mais simples, pois já possuem os requisitos básicos para a 39.001 e precisam fazer poucas adequações”, explica o Nilo Victor Agottani, coordenador de certificação de sistemas do TECPAR CERT.

A implementação passa pelo mapeamento de todos os riscos e criação de mecanismos para diminuir acidentes. A estratégia vai desde o descanso dos motoristas e melhoria das condições de saúde, para evitar problemas que gerem desatenção nas estradas, até treinamentos para uma mudança de comportamento de todos os envolvidos no processo, inclusive do gestor de frotas.

Cleverson Forato, diretor técnico da I9 Gestão, que atua com consultoria e treinamento, explica que o gestor de frotas é a pessoa chave para disseminar a cultura de segurança dentro da empresa, já que é o responsável por definir as rotas mais seguras e é quem faz o contato com o motorista. “É muito importante que o contato com o motorista seja feito apenas quando ele estiver parado, para não o induzir a usar o celular na direção nem gerar stress no dia a dia da operação”, argumenta.

A Voz da Motorista

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“Eu adoto uma conduta profissional, dirigindo com prevenção. Quando eu dirijo com responsabilidade, ajudo tanto o carro pequeno como o pedestre. Com a certificação, reforçamos os treinamentos de direção segura e aprendemos a estipular horários melhores para o descanso e a ter uma alimentação mais correta, para estarmos mais dispostos e a dirigir com mais atenção”. Marineli Peres Preti, motorista da SVD.

 

“Cada gestor de frotas deve assumir a visão de que é um gestor de vidas”

O Programa Volvo de Segurança no Trânsito (PVST) convidou Carlos Tudisco, especialista em direito corporativo e gestão de frotas, para falar sobre a importância das empresas de transporte adotarem uma política de gestão de frotas consistente para estabelecer responsabilidades, eliminar dúvidas e reduzir acidentes de trânsito. O resultado, você confere abaixo.

Carlos Tudisco

PERGUNTA: Qual a importância das transportadoras adotarem uma política das gestão de frota detalhada, com regras claras quanto a, por exemplo, controle de pontuação na Carteira Nacional de Habilitação de seus motoristas?

No Brasil ainda ocorrem aproximadamente 40.000 acidentes de trânsito fatais por ano. Portanto, o trânsito é um cenário de altíssimo risco. Mesmo assim, ainda há muitas empresas que não estabelecem regras claras para seus colaboradores explicando qual a política da companhia para o dia a dia da operação da frota. Nessas empresas os gestores acabam “presumindo” que cada um tem pleno conhecimento do que deve ser feito ou evitado, mas, essa presunção, na prática, acaba inserindo nesse ambiente dois elementos que, em conjunto, quase sempre têm consequências dramáticas: o “risco” e a “dúvida”.Para evitar isso, temas como a vedação para uso do celular, o uso do cinto de segurança, controle da velocidade, regras para comunicação de anomalias nos veículos, revisão e troca de itens de segurança e regras de segurança ligadas à condução dos veículos, entre outros, devem ser tratados com muita consistência e seriedade. A Política de Frota tem como uma de suas principais funções eliminar dúvidas. Ela traz para o mundo da formalidade aquelas questões que costumam ficar soltas no ambiente de trabalho. Ou seja, estabelece de forma clara quem, deve fazer o quê, quando e de que forma.

O controle da pontuação da CNH constitui-se um capítulo muito importante dentro da Política de Frota.

PERGUNTA: Quais os riscos e consequências para as empresas, por não fazer o controle da pontuação?

Caso a empresa não adote como diretriz proceder uma averiguação periódica da pontuação da CNH – tanto para motoristas como para os demais condutores que utilizam veículos esporadicamente – ela acaba assumindo uma série de riscos indesejáveis.
Por exemplo: o art. 310 do Código de Trânsito estabelece que, permitir, confiar ou entregar a direção de veículo automotor a pessoa não habilitada, com habilitação cassada ou suspensa constitui crime, com pena de detenção que vai de 6 meses a 1 ano e multa. Além disso, caso um condutor inabilitado venha se envolver em um acidente com danos, certamente os mesmos não serão cobertos pela apólice de seguros. Ainda, se em tal acidente houver vítimas, há o risco para o gestor de ser indiciado criminalmente como coautor por ter entregue o veículo, isso em razão do que dispõe o art. 29 do Código Penal onde está determinado que: quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade. Inclusive há decisões da justiça nesse sentido.
Tudo isso sem deixar de pensar nos danos para a imagem da empresa, caso venha a público que um colaborador se envolveu num acidente com vítimas e que o mesmo sequer estava em condições legais de dirigir.

PERGUNTA: Como fazer esse controle?
A empresa tanto pode adotar uma postura proativa, pela qual ela mesma pode proceder esses levantamentos junto aos sites dos respectivos DETRANS, ou, contratar empresas especializadas nesse tipo de pesquisa existentes mercado. Outra alternativa seria estabelecer na Política de Frota uma determinação para que o próprio colaborador comprove de tempos em tempos estar com sua situação regular.
O que você indicaria para uma empresa que ainda não tem, implementar um controle da pontuação da Carteira Nacional de Habilitação?
Com base em dados dos DETRANS e também das empresas parceiras do INSTITUTO PARAR, podemos afirmar que entre 3 e 5% dos condutores têm algum tipo de impedimento ao direito de dirigir.Portanto, sendo a Habilitação uma imposição legal, cuja a falta pode gerar até mesmo consequências criminais para os gestores, é altamente recomendável que seja realizado um levantamento da situação da CNH de cada um dos colaboradores e a partir dos resultados estudar as medidas mais adequadas caso a caso.

PERGUNTA: A empresa compartilha a responsabilidade com o motorista em caso de acidente? Em que situações a empresa compartilha a responsabilidade? 

Na esfera cível, ou seja, no campo das indenizações, sempre que um condutor a serviço da empresa for culpado em um acidente (por exemplo: ao furar um sinal vermelho), a empresa será chamada a arcar com os prejuízos e danos decorrentes, independentemente de ter ela alguma culpa direta no incidente. Isso é o que se chama no direito de “responsabilidade objetiva”.

Já no campo criminal, os gestores podem ser chamados a responder, nos casos em que a causa do acidente possa ter origem, por exemplo, em falhas de manutenção dos veículos, ou ainda em razão de uma ação ou a omissão da empresa que possa ter contribuído para que ocorresse o acidente (com vítimas). Nessa situação, a responsabilidade criminal poderá ser imputada a alguém (da empresa) que tenha ficado incumbido de seu controle e execução.

São motivos que reforçam a importância da existência de uma Política de Frota consistente, uma vez que, através dela, essas responsabilidades ficarão claras, o que certamente contribui para que falhas dessa natureza sejam efetivamente evitadas. Ou seja, além da segurança jurídica, na prática a Política de Frota ajuda a evitar acidentes.

PERGUNTA: Com que tipo de infração as empresas devem se preocupar mais? É possível dar pesos diferentes, de acordo com a gravidade da infração, na política de gestão de frotas?
Se tivermos que escolher três principais pontos a serem enfrentados numa primeira versão da Política de Frota, minha sugestão seria focar naqueles que constituem as principais causas de acidentes: excesso de velocidade, uso do celular na direção e falta do cinto de segurança.

Para fins de aplicação de sanções trabalhistas, sim, tanto a gravidade como a reincidência são causas de aumento da penalidade que, em casos graves de omissão ou imprudência do colaborador, podem até culminar em dispensa por justa causa.Entretanto, a experiência mostra que apesar de ser um instrumento importante, a penalidade deve ser utilizada como último recurso. A conscientização e a premiação dos bons exemplos têm resultados muito positivos nesse processo de mudança de cultura.

PERGUNTA: O uso do celular no volante é uma prática inadequada/insegura cada vez mais comum e causa de muitos acidentes. Num caso de acidente devido ao uso do celular na direção, por exemplo, como a empresa deve agir?

Dentro de um processo de mudança de cultura, a empresa pode fazer uso de um evento infeliz – acidente – como instrumento de conscientização dos demais colegas de trabalho, demonstrando assim que as ações que está implantando, longe de serem compreendidas como uma espécie de instrumento de “opressão”, têm, pelo contrário, como objetivo principal zelar pela segurança de todos.

Ninguém em sã consciência está disposto a dar sua vida pela empresa, mas, quando o colaborador assume o risco de certas práticas abusivas no trânsito, coloca-se muito próximo de uma fatalidade sem sentido e sem propósito. Cada gestor deve assumir para si a visão de que, antes de ser um Gestor de Frotas, ele é um gestor de vidas e que o seu trabalho faz diferença. Uma boa Política de Frota ajuda a salvar vidas!

Quem é Carlos Tudisco
Especialista em direito corporativo e gestão de frotas, Carlos Tudisco atua como diretor na GolSat Tecnologia e como consultor, palestrante e professor de pós graduação no Instituto PARAR. É ainda membro da Comissão de Direito Corporativo da OAB/PR em Londrina.