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06.08.2014 | Artigos

Renovação de frota na Europa: estímulo aos novos

Assim como os EUA, a Europa não possui uma legislação que regulamente a renovação da frota de caminhões. Mas a inspeção veicular é pra valer.

Sérgio Gomes(*)

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O mercado europeu de caminhões novos absorve entre 250 mil e 350 mil unidades ao ano, ao mesmo tempo em que o de usados movimenta aproximadamente 500 mil unidades anuais. Assim como acontece em outros lugares, o caminhão tem uma vida útil de aproximadamente dez anos, sendo que passa os primeiros quatro anos no primeiro dono, outros três no segundo e outros três anos em um terceiro dono que pode ser ou não ser transportador europeu.

Até recentemente uma parcela expressiva dos veículos usados europeus eram destinados a outros mercados de exportação, principalmente África e Leste Europeu. Mas isso vem mudando nos últimos anos, como veremos adiante.

O mecanismo adotado lá é de estímulo ao uso de veículos mais eficientes sob o ponto de vista ambiental e de segurança no trânsito. Veículos que atendem as normas de emissões Euro ?X? em vigor são beneficiados com menores taxas durante sua operação, o que os torna economicamente mais interessantes para grandes frotistas e transportadores que adquirem apenas veículos novos, renovando-os a cada três anos. Isso é possível graças à inspeção anual obrigatória, em que a performance ambiental e de segurança dos veículos é avaliada.

Lá existe a figura do ?trader?, que negocia veículos usados, comprando-os dos primeiros e segundos donos para revende-los tanto no mercado local como ? principalmente ? para exportação.

Contudo, há mudanças em curso nos países importadores desses veículos, que tendem a reduzir gradativamente os volumes vendidos para eles, principalmente dos veículos mais antigos. Alguns adotam medidas de incentivo à produção e mão-de-obra locais e de proteção ao meio ambiente, outros também reduzem a idade máxima dos veículos importados, havendo ainda aqueles que começam a enfrentar dificuldades por não ter combustível adequado a veículos com tecnologia para os níveis de emissões mais recentes. Isso tudo deverá estimular o crescimento dos sistemas de desmanche e reciclagem dentro da Europa.

Por suas características peculiares, não há como comparar o mercado europeu com o americano ou com o brasileiro, mas vale apontar algumas diferenças básicas:

- Na Europa boa parte dos usados são exportados.

- Na Europa existe inspeção anual de veículos, que contribui para aumentar a segurança e ajuda a controlar níveis de emissões.

- As exigências de segurança passiva são mais rigorosas na Europa.

Outra característica do mercado europeu é a maior participação das montadoras como agente de financiamento ? com bancos próprios ? para aquisição da frota, não apenas para o primeiro dono como também para o segundo.

O interessante é notar que, assim como nos Estados Unidos, não há uma legislação definindo a política de renovação de frota, e sim mecanismos práticos como os mencionados acima, de benefícios e/ou inspeção.

No próximo artigo vamos procurar identificar as boas práticas dos mercados americanos e europeu, ou outros, que eventualmente poderiam ser aplicadas ou servir de inspiração para o Brasil.

* Sérgio Gomes, ex-diretor de estratégia do Grupo Volvo na América Latina, é especialista em Estratégia e Negócios e sócio diretor da Sérgio Gomes Consulting

 

22.07.2014 | Artigos

Zero Acidentes, um compromisso de todos

O envolvimento de toda a sociedade é fundamental para reduzir e até zerar os acidentes com vítimas fatais. No Grupo Volvo, estamos convencidos de que o Zero Acidentes é um ideal de futuro possível.

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Roger Alm, presidente do Grupo Volvo América Latina

Ao lado da qualidade e do respeito ao meio ambiente, a segurança é um dos três valores essenciais do Grupo Volvo. Ao longo da nossa história, assumimos uma posição de liderança em soluções de segurança veicular.

Recentemente, o Grupo Volvo reforçou integralmente o seu comprometimento com a segurança ao preconizar um futuro com Zero Acidentes envolvendo os seus veículos.

Essa visão extremamente desafiadora está totalmente alinhada com o objetivo maior de tornar-se líder mundial em soluções de transporte sustentável.

Além disso, representa uma contribuição importante à Década Mundial de Ações para a Segurança no Trânsito, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e coordenada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Quando falamos em Zero Acidentes, parece que estamos sonhando com algo impossível. Isto porque, como sabemos, são diversos os fatores que contribuem para a ocorrência de acidentes.

Entre os fatores que contribuem para os acidentes, cerca de 10% são relacionados ao veículo. As condições do ambiente respondem por 30% dos casos. Contudo, de acordo com estudos já realizados, em 90% dos acidentes as causas são relacionadas a comportamentos  inseguros.

Assim, sabemos que não basta ter o caminhão mais seguro do mundo e investir fortemente em tecnologias de segurança passiva e ativa que contribuam para evitar ou reduzir as consequências dos acidentes. Isto nós já fazemos e continuaremos evoluindo nesse sentido. Afinal, a segurança está no DNA da Volvo. É o princípio de tudo que norteia o desenvolvimento de todos os produtos do Grupo desde o início de suas operações.

Nós, da Volvo, trabalhamos para que nossos produtos sejam cada vez mais seguros, com envolvimento de todas as unidades e áreas de negócios – Caminhões, Ônibus, Equipamentos de Construção, motores Penta ? desde o desenvolvimento e produção até a comercialização dos produtos.

Convidamos todos os nossos parceiros de negócios e públicos relacionados a se engajar nessa causa: dos concessionários e clientes, aos fornecedores, bem como governo e instituições relacionadas. Vamos estimular o debate e as soluções para isso, por meio do Programa Volvo de Segurança no Trânsito. E vamos fazer de tudo que estiver ao nosso alcance para atingir esta meta.

A segurança é um compromisso que deve ser compartilhado por todos. Por isso, esperamos contar com a participação e engajamento de todos para construirmos juntos um futuro cada vez mais seguro.

16.07.2014 | Artigos

Zero Acidentes: O paradigma e o binóculo

JotaPedroCorreaLegendado

Quando definiu como sua nova visão de segurança o desafio de zerar os acidentes com seus produtos, o Grupo Volvo demonstra estar definitivamente predestinada a criar e enfrentar desafios de grande porte. A lista de contribuições à segurança veicular ao longo de sua história é expressiva.

Ao lançar o Zero Acidentes, contudo, parece ter alcançado seu ponto máximo por uma razão simples: uma vez vendido o produto, ele passa a ser propriedade do cliente que, consequentemente irá a operá-lo segundo seus critérios. Assim, como preconizar zero acidentes com seus produtos se eles não estão mais em suas mãos e sob seu controle?

A Volvo está convicta de que o nível de qualidade e segurança de seus produtos será capaz de contribuir consideravelmente com o cliente para a redução de acidentes graças aos componentes de segurança ativa e passiva instalados. O cliente que opta por priorizar a segurança, com um produto destes já tem mais de meio caminho andado. O restante dependerá de como atuará diante dos demais fatores de risco que, igualmente devem merecer atenção.

O mais importante destes fatores será o condutor que deve estar devidamente qualificado para a função a ponto de identificar dificuldades de operações em certas circunstâncias e ser capaz de evitar maiores riscos de acidentes. Para que isto ocorra é importante que a empresa disponibilize informações em quantidade e qualidade suficientes para que ele, na cabine, tome as decisões necessárias para realizar suas jornadas livres de acidentes.

O diferencial Volvo está na orientação de que, percebendo que a operação do cliente ocorra em situações de risco, deve intervir ajudando o operador a remover o perigo. Para isto deve se valer da longa experiência Volvo para lidar com a acidentalidade e usar este conhecimento para traçar, com o cliente, uma forma de trabalho mais segura e, assim, mais sustentável. Este papel pode ser desempenhado por um representante da fábrica ou, o que é mais possível, de um dos seus distribuidores.

Por que a Volvo tinha de propor um sonho de zero acidentes com seus produtos se até hoje ninguém no setor de transporte comercial chegou perto disso? Em minha opinião, aí está a marca do líder, que caracteriza aqueles que querem deixar seus rastros de benefícios não apenas para si, mas principalmente para seus seguidores e clientes.

A credibilidade Volvo já levou grande número de clientes em todo o mundo a adotar a segurança como prioridade e com isto obtendo excelentes resultados operacionais, salvando vidas com rentabilidade. O passo mais ousado, agora é procurar meios e ações que ajudem todos os clientes a zerar acidentes com produtos do Grupo Volvo.

Entende-se que haja certa incredulidade de alguns transportadores brasileiros diante da proposta Volvo. Afinal, somos um país que não tem cultura de segurança, que não a tem como valor e que, por isto mesmo, tenderia a tornar este tema algo supérfluo demais.

Minha posição em relação à segurança é que este é mais um paradigma do transporte brasileiro do qual mostra ter dificuldades de se livrar. Contudo, é bom lembrar que já fomos capazes de superar outros e, assim, podemos superar mais este. Vejamos:

Quando se fala de segurança, quem seria capaz de imaginar que, na virada do século, nossa sociedade iria usar cinto de segurança no nível que usamos hoje? Bastou uma ação forte dos meios de comunicação em cima de um tópico importante do Código de Trânsito Brasileiro de 1998 para que o cidadão passasse a adotá-lo ? muitos por medo das multas mas muitos também porque se deram conta dos seus benefícios.

Assim, estou convencido de que isto também ocorrerá com o zero acidentes. No início, parece ser algo fora do alcance das empresas e dos motoristas mas na sequência se verá que não é um bicho de sete cabeças e que, sim, é perfeitamente factível, mesmo que isto possa demorar algum tempo.

A discussão que aqui está sendo proposta pode ser comparada com o uso do binóculo: quando você tenta focar, no começo tudo parece um pouco confuso, com poucos detalhes, com mais perguntas do que respostas mas aos poucos as coisas vão se delineando melhor, as respostas vão surgindo para iluminar o caminho e, finalmente, veremos que se trata de um objetivo alcançável.

Seja como for, o importante aqui é ignorar as dificuldades iniciais, os pontos obscuros e tocar em frente na busca do zero acidentes. É como diria o artista francês Jean Cocteau: ?Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez?

25.06.2014 | Artigos

A experiência dos EUA na renovação da frota de caminhões

Nos EUA, o volume de veículos retirados de circulação é de 180.000 por ano ou 70% das vendas anuais, equivalentes a 6% da população total.

Sérgio Gomes*

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Sabemos que nos Estados Unidos há uma forte influência da iniciativa privada na direção dos principais setores da economia. E no caso do segmento de transportes isso não tem sido muito diferente.

É um mercado de 250.000 caminhões classe 8 – que são os caminhões pesados – por ano, que transportam 69% da carga ou 85% do valor da economia no mercado, segundo o último relatório da ATA ? American Trucking Associations. Nos últimos anos houve um avanço significativo no transporte rodoviário de cargas naquele país, que já foi bem mais ferroviário.

Nos Estados Unidos, que tem uma malha ferroviária bem desenvolvida, houve avanço do modal rodoviário sobre o ferroviário. Importante notar que a ferrovia era o modal predominante por lá nos últimos anos. Aqui no Brasil, o desenvolvimento da malha ferroviária sem dúvida vai ajudar o setor de transportes, mas não o suficiente para afetar a hegemonia do transporte rodoviário de carga.

Nos EUA, o caminhão tem se dado melhor em razão da flexibilidade, rapidez, segurança da carga a danos, e por ser mais adaptado à operação just-in-time, indo direto ao ponto de entrega. A disponibilidade de espaço e custo do capital faz com que a maioria dos estoques esteja dentro dos caminhões que estão rodando.

É verdade que o custo do caminhão é maior que o do trem, porém fica mais vantajoso pela flexibilidade ao tempo de entrega e custo de estoque. Os aviões também tem seu espaço, para cargas mais valiosas e tempo de entrega minimizado.

Os caminhões americanos classe 8, são adquiridos através de leasing, direto das montadoras ou grandes companhias do setor. Os bancos são muito ativos no setor e há também os financiamentos próprios, comuns entre os grandes frotistas, que em alguns casos compram à vista.

Normalmente os caminhões ficam de 4 a 5 anos ou menos com o primeiro dono e então são vendidos pelos grandes frotistas ou pelas companhias de usados – algumas pertencentes a montadoras, neste caso com garantia e financiamento. O segundo dono fica com o veículo até 10 anos ou um pouco mais, dependendo da aplicação.

A partir desse momento os veículos são naturalmente transferidos para transporte regional ou entregas locais em empresas que operam com carga menor, conhecidas como LTL (Less than Truck Load), que basicamente operam com carga fracionada. É bom destacar que na América do Norte não há demanda para inspeção veicular anual.

Estima-se que os caminhões pesados ficam em circulação até os 20 anos. A partir de então, uma parte vai para a desmontagem, as vezes feita pelas próprias transportadoras para evitar canibalização por outros contra elas próprias. O volume de veículos retirados de circulação é de 180.000 por ano ou 70% das vendas anuais. Apesar disso representa 6% da população total.

As composições de carga dos caminhões nos Estados Unidos tem sido estáveis ao longo do tempo, sem grandes alterações, com peso total ao redor das 40 toneladas. No Brasil, ao contrário, o transporte rodoviário, especialmente o chamado longa distância passou por uma mudança significativa nas últimas décadas. Os veículos médios deram lugar a veículos pesados, aumentando em várias vezes a capacidade de transporte. Hoje temos composições com mais de 70 toneladas de peso total. Nesse ambiente, os médios não foram substituídos e sim transferidos para serviços regionais e locais.  A idade média desses veículos é bem mais alta que a dos pesados. Este aspecto merece atenção em propostas sobre o assunto renovação.

Assim, pudemos verificar um pouco do ciclo da vida útil de um caminhão nos EUA. Da próxima vez, vamos conhecer um pouco da experiência européia e, com esse balanço, encontrar soluções e práticas que talvez possam ser aplicadas com sucesso por aqui.

Independente da forma em que se processe, a renovação da frota no momento certo é o caminho natural para manter a eficiência do transporte. Não se trata apenas de obter o melhor custo por tonelada transportada, mas também de fazer a cadeia toda funcionar de forma sustentável, com o menor custo ambiental possível, e operando com equipamento sempre moderno e seguro que permita reduzir ao mínimo os acidentes de trânsito ? e até sonhar com a visão zero, um assunto para detalharmos em outra ocasião.

* Sérgio Gomes, ex-diretor de estratégia do Grupo Volvo na América Latina, é especialista em Estratégia e Negócios e sócio diretor da Sérgio Gomes Consulting

03.06.2014 | Artigos

Conectividade, o passo que faltava para o futuro

Entre as transformações recentes, a conectividade é uma das que mais impactará os transportes, no futuro próximo.

Sérgio Gomes *

sgomes

A velocidade das transformações na sociedade está se processando cada vez mais rapidamente e isso envolve mudanças no ambiente de negócios também. As mudanças de hábitos e atitudes são um bom exemplo. As nações desenvolvidas e agora também os emergentes vêm experimentando uma forte movimentação para a áreas urbanas.

As cidades com mais de 10 milhões de habitantes vão dobrar em 10 anos e a porção do PIB global dos países emergentes já tornou-se igual ao das nações desenvolvidas a partir de 2012.

Essas mudanças certamente vão impactar o setor do transporte. E positivamente. Podemos afirmar que, tecnologicamente falando, a conectividade é um dos principais drivers nesse futuro não tão distante.

Ela estará fortemente ligada à funcionalidade, proporcionando maior transparência do conhecimento e da informação.

O fácil acesso às informações do veículo, da carga e do motorista, independentemente de onde se esteja – em casa, no posto de abastecimento ou dirigindo ? traz uma vasta gama de possibilidades para aprimoramentos em diversas áreas.

Evitar problemas também será muito mais fácil, tanto no que diz respeito às condições do trânsito, como na visão transporte e do tráfego como um todo. Redefinir rotas, substituir ou socorrer veículos avariados com mais agilidade, ou simplesmente redimensionar a frota circulante de acordo com a demanda de um horário específico, são alguns exemplos já praticados por alguns gestores de frota que possuem recursos de conectividade.

O auto treinamento, de forma simples e efetiva, possibilitará a motoristas não tão familiarizados tornarem-se ?amigos? na nova situação e da nova tecnologia com muito mais facilidade do que acontecia até recentemente.

Como efeito da conectividade e dos recursos gerados por ela, uma nova situação deve se formar. Ela será um novo agente de mudança de comportamento no transporte rodoviário e urbano. Em outras palavras, será um forte aliado no desenvolvimento do setor de transporte.

Entre as vantagens que proporcionará, é possível enumerar algumas como a adaptabilidade do veículo às habilidades do motorista, a redução dos custos com manutenção preventiva, o aumento de produtividade do veículo e do motorista, a redução dos acidentes de trânsito, das emissões e dos ruídos, só para citar as principais.

O fato de estarmos, no Brasil, apenas começando a experimentar tais recursos, nos dá também o benefício de poder escolher entre as diversas soluções já desenvolvidas e praticadas ao redor do mundo, adaptadas à situação de infraestrutura existente.

E estou certo de que criatividade brasileira se encarregará de conferir o colorido verde-amarelo, ao implantarmos aqui as ferramentas e sistemas mais adequados à nossa realidade.

* Sérgio Gomes, ex-diretor de estratégia do Grupo Volvo na América Latina, é especialista em Estratégia e Negócios e sócio diretor da Sérgio Gomes Consulting