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24.09.2019 | Notícias

Eu Rodo Seguro alerta os trechos mais perigosos nas rodovias federais

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O  aplicativo Eu Rodo Seguro emite alertas sonoros quando o motorista estiver se aproximando dos trechos com alta periculosidade nas rodovias federais brasileiras. O lançamento foi durante o  Safety Talk – evento que reuniu cerca de 100 convidados na fábrica da Volvo – dentro do programa de comemoração dos 40 anos da Volvo no Brasil. 

 “O aplicativo é mais uma contribuição do Programa Volvo de Segurança no Trânsito (PVST) à sociedade”, destaca Carlos Ogliari, vice-presidente de RH e Assuntos Corporativos da Volvo na América Latina. “É uma forma de reforçar nosso compromisso social de gerar prosperidade, indo além de produtos e serviços, alinhado à Visão de Segurança do Grupo Volvo, de buscar um futuro com Zero Acidentes envolvendo veículos da marca”.

Trata-se de uma  evolução do Atlas da Acidentalidade, idealizado pelo PVST em parceria com a Polícia Rodoviária Federal e a empresa Tecnométrica. O aplicativo é gratuito e está disponível para os sistemas Android e IOS, nas lojas Play Store e App Store. Trabalha em conjunto e paralelamente com o navegador GPS utilizado pelo motorista e funciona offline.

A primeira edição do Atlas da Acidentalidade  no Brasil foi disponibilizada em 2014 em versão impressa. A edição de 2018  já contemplava um Portal com possibilidade de simulação de uma rota da viagem  para visualizar os trechos de alto perigo de acidentes. A inovação em 2019 foi lançar o aplicativo para facilitar o uso e o planejamento da viagem, permitindo a gestão de risco na palma da mão do usuário. “A PRF conta com um completo e valioso banco de dados dos acidentes nas rodovias federais brasileiras. Nossa maior contribuição foi transformar números em informação e colocar à disposição da sociedade. O Atlas aponta os locais com maior número de mortos e feridos (leves ou graves), as principais causas de acidentes, as mais letais, e os dias e horários da semana com maior índice de acidentes”, explica Anaelse de Oliveira, coordenadora do PVST.

De acordo com dados da edição 2019 do Atlas da Acidentalidade no Transporte, em 2018, foram registados 69.229 acidentes que deixaram 76.555 feridos e 5.271 mortos nas rodovias federais brasileiras.  O número corresponde a um média de 14,4 por dia.

O App Eu Rodo Seguro emite alertas sonoros 500 metros antes do motorista entrar em trechos com maior risco de acidentes nas rodovias federais brasileiras. É uma ferramenta que ajuda o motorista a adotar a direção preventiva para chegar ao destino em segurança, uma vez que o sinal de alerta é um aviso para que redobre a atenção nos trechos de maior periculosidade.  Agindo dessa forma, todos contribuem para evitar acidentes e salvar vidas”, complementa Anaelse .

A recomendação aos motoristas usuários do “Eu Rodo Seguro” é acessar o aplicativo antes de sair de viagem, indicando a origem e destino e clicar na lupa para traçar a rota. A partir daí, durante todo o trajeto, o aplicativo irá emitir alertas sonoros para indicar os trechos de perigo.

 

“Este é um excelente exemplo de parceria público privada em benefício da sociedade. Qualquer atitude que venha para melhorar a segurança no trânsito é bem-vinda, e certamente o aplicativo será um instrumento que vai ajudar, especialmente as empresas de transporte, a orientar os motoristas a fazerem viagens mais seguras”, afirma Eder Rommel, da coordenação de comunicação da Polícia Rodoviária Federal.

Para mais informações sobre o App Eu Rodo Seguro acesse: https://www.atlasacidentesnotransporte.com.br/

Veja como foi o evento Safety Talk: https://youtu.be/kETI5A-San4

Baixe já e viaje com mais segurança!

APP STORE: https://apps.apple.com/br/app/eu-rodo-seguro/id1477615825?l=en

GOOGLE PLAY: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.companyname.zeroAcidentesApp

 

Trechos com maior número de acidentes estão próximos às cidades

Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, são os estados, segundo as estatísticas da PRF, que concentram o maior número de trechos das rodovias federais com o maior número de mortos e feridos do país. Em comum, os trechos com maior índice de periculosidade são próximos a cidades e com fluxo de pedestres.

O pior trecho em número de acidentes e mortos do Brasil fica no município de São José, na Região Metropolitana de Florianópolis. A região está no topo da lista de acidentes graves desde que o Altas da Acidentalidade no Transporte começou a ser editado, há cinco anos. Só em 2018, foram registrados no município 721 acidentes que deixaram 15 mortos e 754 feridos entre os km 204 e 213 da BR 101, e mais 283 acidentes com 4 mortos entre os km 0 ao 9 da BR 282 que também passa pela cidade.  Outro trecho de alto risco fica em Guarulhos, entre os km 212 e 221 da BR 116. No ano passado, foram registrados no local 376 acidentes que resultaram em 20 mortos e 400 feridos.

Os trechos mais perigosos apontados pelo aplicativo Eu Rodo Seguro são atualizados a cada semestre , a partir dos dados do Atlas da Acidentalidade no Transporte. O levantamento é feito pela Tecnométrica, empresa de engenharia da informação, com base nas estatísticas de acidentes da Polícia Rodoviária Federal. Foram incluídos no aplicativo os locais de periculosidade alta e moderada em todos os estados brasileiros, considerando o total de acidentes, mortos e feridos.

Santa Catarina e Minas Gerais são os estados com os trechos mais perigosos em acidentes envolvendo caminhões.  O município de São José, na Região Metropolitana de Florianópolis também está no topo da lista de acidentes com caminhões. Entre os KM 204 e 213, da BR 101, foram registrados no local 84 acidentes que resultaram em 5 mortos e 72 feridos.  Em Minas, o trecho mais perigoso fica entre os km 469 e 478 da BR 251, próximo a Francisco Sá, onde ocorreram 25 acidentes que deixaram 11 mortos e 87 feridos.

 

Usuários testam e aprovam App Eu Rodo Seguro

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Fé e esperança de redução de mortes nas estradas


“Como cidadão, só tenho elogios para a Volvo e para a PRF. São
ações como esta que ajudam a gente a ter fé e esperança de ver
um mundo melhor, com menos acidentes e mortes nas estradas.
Todas as iniciativas para salvar vidas merecem o nosso respeito e
precisam ser apoiadas e compartilhadas. Como empresário do
transporte, reconheço o valor do aplicativo para ajudar os
motoristas a planejar as suas viagens com mais segurança. Com o
uso do aplicativo, eles serão alertados para dirigir ainda com mais
atenção e cautela e até, se possível, desviar de trechos tão
perigosos”. O sonho agora é que este mapeamento possa cobrir
também as rodovias estaduais. Acho que é o que vai acontecer
porque um bom exemplo, gera outros bons exemplos”.
Roberto Trindade, Diretor Financeiro (Grupo SVD)

 

Gostei, testei e aprovei


Muito bom, principalmente para nós motoristas de caminhão pois
traz informações muito úteis que os outros aplicativos não trazem.
Por mais experiência que a gente tenha, sempre é bom ser alertado
sobre os perigos das estradas. Ajuda a nossa segurança e a dos
outros também. Já estou usando e divulgando”.
Edenilson Lautentino Trabuco da Silva, o “Nô” como é conhecido
pelos colegas. (Transportes Jaloto)

 

Volvo 40 anos movendo vidas para transformar o futuro

Sem Título-10

O vice-presidente de RH e Assuntos Corporativos da Volvo na América Latina,  Carlos Ogliari, representa o ideal da “Visão Zero Acidentes” do Grupo Volvo e é  um incansável defensor da educação para atitudes e comportamentos seguros. Dentro das ações de comemoração dos 40 anos de instalação da Volvo  no Brasil, Carlos fala sobre o lançamento do aplicativo Eu Rodo Seguro, como mais um exemplo de como a marca compartilha valor com a sociedade e nesta ocasião, como contribui com a gestão de riscos dos motoristas que utilizam as rodovias federais, com o propósito de salvar vidas.

PVST:  A Volvo lança o App Eu Rodo Seguro, que  ajuda os motoristas no gerenciamento de risco das viagens. Qual o objetivo?

Carlos: É o nosso presente de aniversário de 40 anos no Brasil. Mais uma contribuição da Volvo à sociedade. É uma forma de reforçar nosso compromisso social de gerar prosperidade, indo além de produtos e serviços, alinhado à Visão de Segurança do Grupo Volvo, de buscar um futuro com Zero Acidentes envolvendo veículos da marca. Infelizmente o país ainda apresenta altos números de mortos e feridos, são aproximadamente 36 mil vidas perdidas por ano nas ruas e estradas do nosso Brasil. Isso é inaceitável!

PVST: O aniversário é da Volvo e o presente é para o país?

Carlos: Exatamente. Quando completamos 10 anos no Brasil, lançamos o PVST – Programa Volvo de Segurança no Trânsito. Na época, nosso objetivo era acordar o país para a gravidade do trânsito brasileiro. Já se falava em 50 mil mortes ao ano.  Em 2018, de acordo com dados da edição de 2019 do Atlas da Acidentalidade no Transporte, somente nas rodovias federais, foram registrados 69.229 acidentes que deixaram 76.555 feridos e 5.271 mortos.  O número corresponde a uma média de 14 mortes por dia. 

Desde então, nosso objetivo tem sido mobilizar a sociedade para ações que reduzam este quadro inaceitável e que possam contribuir com um trânsito mais justo e humano. O Atlas da Acidentalidade no Transporte, agora em forma de ferramenta de gestão de risco na palma da mão, é mais uma iniciativa para salvar vidas.

PVST: Transformar dados em informações sobre gestão de riscos. Qual a importância?

Carlos: O Atlas é o mais completo diagnóstico dos acidentes nas rodovias federais brasileiras.  Aponta os locais com maior número de mortos e feridos, as principais causas, as mais letais, e os dias e horários da semana com maior índice de acidentes. A Polícia Rodoviária Federal conta com esse valioso banco de dados, nosso trabalho e contribuição – em parceria com a Tecnometrica – foi transformar esses dados em informações úteis para os motoristas. Trata-se de um excelente exemplo de compartilhar valor em  parceria público privada em benefício da sociedade. 

PVST: Qual a expectativa ao lançar essa ferramenta?

Carlos: O aplicativo pode ser utilizado por todos os motoristas que utilizarem as rodovias federais. Acreditamos que ao serem alertados sobre os trechos mais perigosos nessas BRs,  eles estarão mais conscientes sobre os trechos de maior riscos e índices de acidentes e assim, serão mais cautelosos e preventivos na direção. Uma grande contribuição também para os empresários e gestores de frotas do setor de transporte e motoristas profissionais para uma gestão mais segura das viagens.

PVST: Qual a próxima iniciativa do PVST?

Carlos: Estamos constantemente investindo em ações para ajudar o trânsito brasileiro. Acreditamos na força do diálogo e cooperação com os envolvidos na complexidade do problema do trânsito e também na educação para gerar conscientização e transformações positivas concretas. O comportamento inseguro, infelizmente, é a principal causa de acidentes de trânsito. E a falta de atenção é responsável por cerca de 40% dos acidentes.  Vamos continuar na vanguarda de tecnologias de segurança em nossos produtos e com nosso esforço junto à sociedade em busca do ideal de Zero Acidentes.

 

Cinto de segurança ainda é um desafio no Brasil

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Mais do que qualquer outra invenção, o cinto é sinônimo de segurança no trânsito. Desde a sua criação, há 60 anos, já salvou mais de um milhão de vidas

 No Brasil, a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança completa 21 anos,  mas a conscientização ainda é um desafio para o país. Uma pesquisa realizada pela ARTESP – Agência de Transporte do Estado de São Paulo,  sobre o uso do cinto de segurança, mostrou que de 2012- 2014 quase 70% dos passageiros de bancos traseiros que morreram nas rodovias brasileiras estavam sem cinto. A falta de cinto tirou a vida também de 40% dos passageiros dos bancos da frente e cerca de 50% dos motoristas que não usavam cinto de segurança.  Ainda segundo a Polícia Rodoviária Federal, em 2017 a falta do uso do cinto de segurança gerou mais de 200 mil infrações. Considerado uma proteção vital em caso de acidente, o cinto de segurança é de uso obrigatório tanto nos bancos da frente quanto nos traseiros. E a responsabilidade legal da utilização é do condutor que deve conscientizar, orientar e observar o uso por parte de todos os ocupantes do veículo.

Curta história

No início dos anos 50, o engenheiro da Volvo, Nils Bohlin,  recebeu a missão de desenvolver um dispositivo para manter os motoristas em seus assentos evitando  arremessá-los fora do veículo, no caso de uma colisão. Assim nasceu o cinto de segurança de três pontas que, ainda hoje, é o principal item de segurança no trânsito no mundo. Em 1958 a Volvo patenteou a revolucionária invenção e no ano seguinte, o equipamento tornou-se padrão nos automóveis Volvo Amazon,  primeiro carro do mundo a ter o cinto de segurança como equipamento padrão. Em 1979 os cintos de segurança se tornaram itens de série dos caminhões Volvo.

Pela importância e efetividade em proteger e salvar vidas, a Volvo permitiu que outros fabricantes de veículos também usasse a tecnologia para salvar mais vidas e hoje é reconhecido como a inovação que mais vidas salvou no trânsito. Estudos provam que o uso do cinto reduz o risco de morte dos ocupantes dos bancos dianteiros entre 40% e 50% e de ferimentos graves entre 50% e 70%. No entanto 105 países ainda não tem uma legislação que exija a sua obrigatoriedade.

As tendências indicam que o cinto de segurança ficará mais inteligente e conectado. Especialistas estão testando cintos que inflamam em caso de colisão, cintos que se adaptam ao corpo e cintos inteligentes que emitem um alerta se o motorista cochilar.

Enquanto isso o cinto segue soberano em sua função de salvar vidas.

Afivele-o sempre!

 

https://www.facebook.com/watch/?v=338758933477306

 

 
28.08.2019 | Notícias

Austrália realiza a primeira pesquisa científica sobre fadiga de motoristas de caminhão

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J. Pedro Corrêa, Consultor de Segurança no Trânsito

O Brasil que está ligado ao transporte sabe da importância do trabalho prestado pelos motoristas de caminhão bem como das condições adversas em que trabalham. Quando o grupo observado é o dos caminhoneiros autônomos, o quadro torna-se ainda mais dramático já que as dificuldades expostas mostram um cenário de maior complexidade. Muitas vezes esses profissionais enfrentam jornadas de trabalho praticamente impossíveis e, em razão disso, a inevitável fadiga passara a ser tema no cotidiano do setor.

Apesar de muito se falar, pouco se conhece sobre estudos com embasamento científico para confirmar as especulações correntes e que pudessem servir de base para a adoção de políticas públicas de enfrentamento. Surge,  enfim, uma primeira luz para iluminar o debate.

Na Austrália, um estudo publicado no primeiro semestre deste ano, envolveu mais de 300 motoristas de caminhão e examinou cerca de 150.000 dados relativos à atenção ao dirigir e sono dos profissionais do volante. É a primeira pesquisa científica sobre fadiga de profissionais das estradas de que se tem conhecimento. Os resultados não surpreendem  mas tiveram o valor de confirmar muito do que já se sabia.

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“A fadiga responde por um quinto dos acidentes graves nas rodovias brasileiras e estas ocorrências estão relacionadas ao excesso de horas de trabalho.”

José Everardo Montal, Vice-Presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego

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A pesquisa foi encomendada pela Comissão Nacional de Transporte da Austrália junto ao Centro de Pesquisa Cooperativa para a Atenção, Segurança e Produtividade; Universidade de Monash e Instituto da Respiração e do Sono. O trabalho durou aproximadamente 3 anos (2015 a 2018) e contou com o suporte da indústria de transporte pesado. O acesso ao resumo do trabalho, em inglês, pode ser feito em: https://www.ntc.gov.au/Media/Reports/(0FF2722E-5F5C-285E-8208-503A37BCC154).pdf

Pela legislação australiana, motoristas de caminhão podem dirigir por um total de 12 horas por dia, limite ultrapassado constantemente. A Lei determina também que, a cada 4 horas, o motorista deve descansar por 30 minutos. Muitas transportadoras usam dois motoristas que se revezam ao volante. As dimensões continentais da Austrália (mais de 7,5 milhões de km2), com grandes distâncias entre os principais centros, se constituem em grandes dificuldades para uma fiscalização mais efetiva.

O estudo foi dividido em quatro objetivos ligados à fadiga dos motoristas profissionais:

  1. Dimensionar o nível de contribuição da fadiga de motoristas de veículos pesados nos acidentes rodoviários;
  2. Possibilidades de alterações na legislação nacional sobre veículos pesados, o que não é feito desde sua introdução, em 2008;
  3. Coleta de mais dados para dar suporte a eventuais e possíveis reformas da legislação;
  4. Avaliação da tecnologia existente para monitoramento do nível de alerta dos motoristas para apoiar possíveis mudanças na política atual e atos regulatórios.

Principais resultados da pesquisa
Os maiores níveis de alerta foram observados no horário padrão de dirigir para turnos que começam entre 6h e 8h, incluindo todos os intervalos para descanso.
Os maiores riscos de aumento na sonolência ocorrem:

  • Após 15 horas de condução do dia quando o motorista inicia o turno antes das 9h.
  • Após 6 a 8 horas de condução noturna (quando o condutor inicia um turno à tarde ou à noite).
  • Após 5 turnos consecutivos ao dirigir novamente por mais de 13 horas.
  • Ao dirigir um turno adiantado que começa depois da meia-noite e antes das 6h.
  • Durante longas seqüências noturnas.
  • Quando o motorista inicia a jornada à noite e continua durante o dia.
  • Após longas jornadas de mais de sete turnos.
  • Durante os turnos mais intensos, ​​um intervalo de descanso de sete horas permite apenas cinco horas de sono – duração associada a um risco três vezes maior de acidentes.

As principais conclusões do estudo foram:

  • Turnos de 12 horas foram associados com pelo menos o dobro do aumento de sonolência. Este aumento de risco ocorre após 6 a 8 horas em trabalho noturno (a partir da tarde para noite) e depois de 15 horas para turnos de trabalho que começam antes de 09:00 da manhã.
  • Após 5 turnos consecutivos, a taxa de sonolência dobrou à partir das 13 horas no turno e triplicou em 15 horas no turno.
  • O maior estado de alerta foi verificado nos turnos que começam entre as 6-8 da manhã até 14 horas.
  • A condução noturna foi associada a um estado de alerta deficiente (o dobro da taxa de sonolência entre 22:00 e as 05:00 horas e o triplo entre a meia-noite e as 3:00 da manhã).
  • Para os turnos da noite, houve sonolência substancial após 8 ou mais horas de condução, com uma duplicação da taxa de sonolência, particularmente após 6 ou mais turnos seguidos.
  • A sonolência foi substancial durante os primeiros turnos de 1 a 2 horas (efeito do primeiro turno noturno), nas longas sequências noturnas e com os turnos que começam à noite e entram pelo dia seguinte).
  • Após longas sequências de jornadas de mais de 7 turnos, houve mais que o dobro de eventos de sonolência para intervalos de descanso mais curtos de 7-9 horas.
  • Mudanças de jornadas com intervalos de 7 horas permitiram apenas 5 horas de sono, uma duração previamente associada a um risco três vezes maior de acidentes. Houve taxa mais alta de microssono EEG (“pescada”) durante a condução​​.

Pedimos ao Dr. José Everardo Montal, Vice-Presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, que opinasse sobre o estudo australiano e o comparasse ao que se sabe, hoje, sobre o assunto no Brasil. Seus comentários:

O mérito deste trabalho australiano, divulgado pelo Programa Volvo de Ssegurança no Trânsito, é confirmar vários pontos que já conhecíamos em relação aos efeitos da fadiga sobre os motoristas profissionais. Sabemos que ela responde por um quinto dos acidentes graves nas nossas rodovias, e que estas ocorrências estão relacionadas ao excesso de horas de excesso de trabalho”. Para ele, “como a fiscalização do controle de jornada no Brasil é precária, o problema não só não é atenuado, como pelo contrário é aumentado pelo uso de anfetaminas e outras drogas por parte de profissionais do volante”.

Para Montal, é essencial que autoridades do setor juntamente com os especialistas em toxicologia juntem esforços para enfrentar o problema. “Sabemos que o tema preocupa o mundo todo mas vemos que nações adiantadas como a Austrália estão fazendo a coisa certa, pesquisando cientificamente o assunto para propor recomendações, mas com base em dados e informações concretas”.

Oxalá este estudo possa ser avaliado pelos diversos setores da vida nacional relacionados com o transporte de cargas e de passageiros e que produza propostas concretas de enfrentamento. Toda a comunidade está ciente da complexidade do tema, das muitas variáveis que precisam de tratamento adequado e essas passam por todas as áreas do transporte a começar pelos mais altos escalões da República, seguindo pela organização nos estados e regiões, alcançando federações regionais e sindicatos até chegar aos profissionais do volante, sejam eles autônomos ou mesmo contratados de empresas.

Este tipo de problema precisa ser enfrentado com rigor, mas ao mesmo tempo com habilidade, paciência e muitos estudos.