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29.11.2019 | Notícias

Celular e direção: conscientização é o caminho

Mesmo com todas as campanhas de educação e do aumento da classificação da multa, que passou de média para gravíssima, com sete pontos no prontuário, um em cada cinco motoristas brasileiros admite usar o celular enquanto dirige. E o número de infrações registradas também não para de crescer. Foi registrado um aumento de 24% em 2019 em relação ao período de janeiro a março de 2018. O levantamento feito pelo Ministério da Saúde ouviu mais de 52 mil pessoas.

Esses dados fazem sentido. Uma das cenas mais comuns no trânsito é ver motoristas utilizando os celulares com a maior naturalidade enquanto dirigem seus veículos. Ignora-se que, além de ilegal, o ato é extremamente perigoso. Já foi amplamente divulgado que o uso do celular enquanto dirige é, atualmente, a terceira maior causa de mortes no trânsito no País. Pior, o uso atual dos smartphones já não está restrito a fazer ou receber ligações. Muitos motoristas são flagrados navegando pelas redes sociais ou respondendo a mensagens enquanto dirigem.

Um estudo realizado pelo Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária) revelou que alguns motoristas chegam a ficar entre 4 e 5 segundos sem prestar atenção na via enquanto manuseiam o celular. Isso equivale, segundo o estudo, a percorrer uma distância de 12 carros enfileirados com os olhos completamente fechados — se o condutor estiver trafegando a uma velocidade de 80 km/h. Responder a uma mensagem é ainda mais perigoso. Estima-se que o tempo gasto para tal pode variar entre 12 e 23 segundos, o que equivaleria a percorrer uma distância de um campo de futebol com os olhos vendados ou fechados.

Fiscalização e conscientização

Se o uso do celular no trânsito aumenta em cerca de 400% as chances de um motorista se envolver em acidentes nas cidades, muito mais grave em estradas. Educação e conscientização tem sido o antídoto das empresas de transportes para garantir que os motoristas das suas frotas entendam os riscos e fiquem longe do celular enquanto estão na direção. A Efitrans, de Curitiba é um exemplo de transportadora que se utiliza de uma comunicação muito clara com os motoristas para que se conscientizem sobre os riscos. “ Estamos constantemente educando e monitorando. É o único caminho para conscientizar e proteger vidas”, enfatiza Pedro Thiago Taborda Farias, Coordenador de SST – Saúde e Segurança do Trabalho.

A IC Transportes, em Sumaré, estado de São Paulo, que tem segurança como uma máxima na sua operação, não só admite que os motoristas usem o celular enquanto dirigem, como também não aceita que nenhum profissional da empresa entre em contato com os motoristas quando o veículo está em movimento. “Temos tecnologia e recursos no caminhão para monitorar e nos informar quando a chave do veículo está desligada”, comenta Geisa Trevizan, supervisora de Planejamento Estratégico na empresa. Com uma frota de 1000 veículos, a IC Transportes investe forte em conscientização sobre os riscos e estatísticas do uso do celular na direção. “ Esse tema faz parte dos nossos valores e somos incansáveis em estimular o profissional à reflexão sobre suas atitudes”, reforça. “A família tem sido um poderoso aliado neste processo”, complementa Geisa.

Viva voz não diminui o problema

Para os especialistas, é um engano achar que o uso dos aparelhos no modo viva voz , diminui o problema da desatenção. Os estudos apontam que ao conversar ao telefone, mesmo que por viva voz, o motorista perde a noção auditiva do trânsito e desvia a atenção daquilo que está fazendo ao volante para o assunto da conversa. “Apesar de não serem proibidos pela lei, os dispositivos bluetooth e viva voz também devem ser evitados para uma direção segura”, recomenda Pedro Farias.

 

Geisa, IC TransportesPedro Efitrans

Aplicativo Eu Rodo Seguro: alerta que já salva vidas

Usuários das estradas federais já utilizam o aplicativo Eu Rodo Seguro para planejar suas viagens e comprovam a importância de conhecer previamente os trechos de altos índices de acidentes.

Excelente inciativa. Já orientamos todos os nossos motoristas a utilizar e eu mesmo já usei o aplicativo em viagem a Joinville. Funcionou muito bem, fui alertado em dois pontos da  BR-376”.

Pedro Thiago Taborda Farias, Coordenador de Saúde e Segurança do Trabalho na  transportadora Efitrans.

Menos de três meses do seu lançamento, cerca de 09 mil pessoas  já baixaram o App Eu Rodo Seguro e muitos motoristas já usam o aplicativo para realizar suas viagens com mais segurança. Mais do que números,  a opinião dos  usuários tem sido extremamente positiva em poder contar com uma ferramenta  que alerta a proximidade de trechos de alta periculosidade nas rodovias federais.

O aplicativo desenvolvido em parceria com a Polícia Rodoviária Federal,  foi lançado em setembro durante  Safety Talks, em Curitiba, promovido pelo Programa Volvo de Segurança, evento que  reuniu cerca de 100 convidados na fábrica da Volvo – dentro do programa de comemoração dos 40 anos da Volvo no Brasil.

O Eu Rodo Seguro também teve uma grande repercussão durante a realização da FENATRAN – Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Cargas -no mês de outubro, em São Paulo. “ Por ser um evento que reúne o setor de transporte em busca de tendências e novidades, observamos um grande interesse dos motoristas e empresários, cada vez mais conscientes, de que uma operação segura impacta na  vida,  mas também na saúde dos negócios”, comenta Anaelse de Oliveira, Coordenadora do PVST – Programa Volvo de Segurança no Trânsito.

Pedro Thiago Taborda Farias, Coordenador de Saúde e Segurança do Trabalho na  transportadora  Efitrans, de Curitiba,  já testou o aplicativo durante viagem a Joinville. “ Funcionou muito bem e fui alertado em dois pontos da  BR-376. “ Excelente inciativa, já orientamos todos os nossos motoristas a utilizar”, enfatiza.

Alertas sonoros

O App Eu Rodo Seguro emite alertas sonoros 500 metros antes do motorista entrar em trechos com maior risco de acidentes nas rodovias federais brasileiras. É uma ferramenta que ajuda o motorista a adotar a direção preventiva para chegar ao destino em segurança, uma vez que o sinal de alerta é um aviso para que redobre a atenção nos trechos de maior periculosidade.

A recomendação aos motoristas usuários do “Eu Rodo Seguro” é acessar o aplicativo antes de sair de viagem, indicando a origem e destino e clicar na lupa para traçar a rota. A partir daí, durante todo o trajeto, nas rodovias federais, o aplicativo irá emitir alertas sonoros para indicar os trechos de perigo.

Para mais informações sobre o App Eu Rodo Seguro acesse: https://www.atlasacidentesnotransporte.com.br/

 

Baixe já e viaje com mais segurança!

 

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28.11.2019 | Notícias

Compartilhar é a solução

“As cidades inteligentes, do futuro, são aquelas que estão devolvendo as ruas aos  cidadãos e que estão à frente na mudança de matriz de locomoção, do individual para o coletivo”.

Renato de Castro, expert em em Smart Cities

Programa Volvo de Segurança: Renato, você é reconhecido como Embaixador das Smart Cities pelo seu olhar profundo nas tendências dos centros urbanos. Como você avalia este processo de repensar as cidades?

Renato de Castro: Esse conceito de cidade inteligente não é novo. Ele nasceu no início dos anos 80, principalmente nos Estados Unidos, com o uso de tecnologia na busca sistemática para solucionar, ou pelo menos minimizar, os principais problemas urbanos. Ao longo desses quase 40 anos, houve uma grande aceleração no processo de urbanização global. Segundo a ONU, saltamos de uma taxa de 39,28% da população mundial vivendo em cidades, em 1980, para 54% em 2017. No Brasil, os números relacionados ao mesmo período são ainda mais impressionantes: de acordo com o IBGE, o país tinha 66% de sua população nos centros urbanos. Em 2020, esse índice chegará a surpreendentes 90%.

PVST: Qual é o impacto para a sociedade?

RC: O crescimento da população e o êxodo das áreas rurais trazem várias consequências para a sociedade, os chamados problemas urbanos. Da falta de escolas ao engarrafamento. A Unicef indica que, atualmente, 61 milhões de crianças não tem acesso ao sistema escolar  e estima-se que nos Estados Unidos, US$121 bilhões sejam desperdiçados anualmente com engarrafamentos. Então, podemos imaginar que, as soluções não consistem somente em construir mais escolas e mais estradas.

PVST: São os impactos na sociedade que impulsionam o conceito de Cidades Inteligentes?

RC: Sim, a complexidade e a dimensão desses problemas têm impulsionado a evolução do conceito de cidades inteligentes. E se na década de 80 todos os projetos eram de base 100% tecnológica, atualmente o foco no cidadão e no aumento da qualidade de vida nas cidades são – ou deveriam ser – os pilares deste processo.

PVST:  Qual o papel da mobilidade no conceito das cidades inteligentes? E como a segurança viária está ligada a este conceito?

RC:   Hoje 50% da nossa infraestrutura serve aos veículos motorizados. Ruas, estradas, pontes, túneis, etc. O desafio é devolver as ruas aos cidadãos. As cidades do futuro são as que estão à frente na mudança de matriz de locomoção, do individual para o coletivo. Que investem nas tendências irreversíveis que são os veículos autônomos e elétricos. Que vê o transporte compartilhado como a solução para os grandes problemas de mobilidade urbana.

PVST: O Brasil está no ranking dos países como trânsito mais violentos do mundo.  Como um expert em tecnologias “Smart” que contribuem para o bem-estar coletivo nas cidades, quais as soluções para reduzir o número de acidentes e mortes nas ruas das cidades e estradas?

RC:  Eu não vejo  nenhum movimento conjunto com a sociedade  para que a segurança de trânsito no Brasil, que é um tema de saúde pública, tenha prioridade. Não acredito na punição. Eu acredito num trabalho forte de conscientização. E não apenas em segurança, mas de civilidade, de respeito e cidadania. E neste sentido, temos um ambiente muito mais favorável com a nova geração. Uma geração mais consciente, mais conectada, que compartilha mobilidade, que  não compra propaganda, mas sim conteúdo. Uma geração que vai viver uma outra realidade de mobilidade com veículos autônomos. Nos próximos 50 anos será mais difícil ter uma habilitação do que um brevê de piloto.

PVST: Você tem algum exemplo de Cidades Inteligentes com soluções e resultados positivos em segurança viária?

RC:  Estocolmo, a capital sueca acaba de ganhar o título de cidade mais inteligente do ano, durante o Smart City World Expo 2019, em Barcelona há poucos dias. Londres restringiu o acesso a veículos diesel. Em Barcelona só é permitido o acesso à cidade, automóveis elétricos, híbridos ou gasolina de alta performance. O prêmio para Estocolmo reitera a minha teoria de que, não somos nós que estamos fazendo cidades mais inteligentes, mas sim a sociedade que está evoluindo para  um novo modelo de convivência social e os países nórdicos são os melhores exemplos, inclusive de cultura de segurança viária.

PVST: Como o Brasil está posicionado nesse processo global de tornar as cidades mais inteligentes?

RC: O Brasil não tem nenhuma cidade entre as top 10 cidades mais inteligentes do mundo. Até porque nós temos um dificultador, que são os problemas de segurança. A falta de segurança influencia a mobilidade. Mas existem algumas cidades brasileiras com vontade política para fazer algo diferente. Fortaleza, por exemplo,  isolou um bairro que tem vida própria, do trânsito e criou espaços compartilhados de lazer. Curitiba que também concorreu ao título de Cidade Inteligente 2019, é um belo exemplo com o BRT que se transformou referência mundial. Acho que estamos no caminho. Apesar de estar fora do país desde 2005, tenho investido bastante tempo no Brasil nos últimos anos porque vejo o ecossistema se movimentando.

PVST: O que falta para que as cidades brasileiras avancem mais rápido neste processo de pensar, planejar e implementar estratégias alinhadas ao conceito de cidades mais inteligentes?

RC: Qualquer projeto de transformação só será bem-sucedido se tiver a mentalidade voltada PPPP -   Parceria  Público Privada para as Pessoas.  Defendo a presença de, pelo menos, cinco atores juntos neste processo: o poder público, a iniciativa privada, as universidades, o terceiro setor e o cidadão. Particularmente não vejo esse envolvimento aqui no  Brasil. E, definitivamente, as cidades com foco no amanhã são as que tem apoio das autoridades governamentais. As que tem proatividade e criam ambiente favorável à inovação.

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Transjordano, mais segurança em busca do Zero Acidentes

O ideal de Acidente Zero, que faz parte da missão da Transjordano, com sede em Paulínea, estado de São Paulo, está cada vez mais próximo de ser alcançado. No mês de novembro a empresa deu um grande salto na busca desse objetivo ao receber a certificação da  ISO 39001. “Estamos muito felizes em poder externalizar aos nossos clientes, parceiros e à sociedade o nosso compromisso com o transporte seguro”, comemora Renato Fialho, Gerente de SSMA  – Saúde, Segurança e Meio Ambiente. “Na verdade,  a certificação veio atestar o trabalho sério e comprometido que já temos com foco em segurança”, acrescenta.

Com  uma frota de 450 caminhões e 500 motoristas que rodam cerca de 20 milhões de quilômetros ao ano, transportando cargas perigosas, a Transjordano, com 21 anos de atuação, sempre foi referência em normas, procedimentos e  gestão em segurança. “O estímulo para a certificação veio quando fizemos o auto-diagnóstico no simulador disponível no Portal do PVST da Volvo, em maio e percebemos que nossas rotinas e procedimentos  já atendiam os requisitos da norma”, se orgulha Renato. Desde então, foram necessários menos de seis meses para que, com o apoio da I9Gestão, a empresa traçasse um plano de ação rumo à certificação. “Analisamos as oportunidades e os desafios, envolvemos toda a empresa, capacitamos a equipe e rapidamente nos preparamos para a auditoria externa”, lembra. O envolvimento da alta direção e das lideranças foi extremamente importante para a conquista. “Não apenas pelos investimentos necessários, mas pelo incentivo e  engajamento de toda empresa”, acrescenta.

A certificação ocorrida no último dia 23 de novembro é celebrada juntamente com o marco de 945 dias sem acidentes de alto potencial na empresa e veio atestar o  compromisso público da Transjordano com segurança. Faz todo o sentido para uma empresa que tem como slogan “ Segurança em Movimento”.

Segurança, maior preocupação dos embarcadores

Para Cleverson Forato, Diretor Técnico da I9Gestão, “a Transjordano é uma referência, uma empresa consciente de que o segmento de transporte só se sustenta se a segurança estiver alinhada com as estratégias da organização”.

Há mais de dez anos na área ele lembra que a certificação do Sistema de Gestão de  Segurança Viária tem se mostrado uma norma evolutiva, mas sempre caminha lado a lado da produtividade e economia. “ A norma veio padronizar procedimentos para eliminação ou redução de mortes e lesões por acidentes de trânsito, mas os empresários estão se conscientizando da grande importância da certificação na gestão e saúde dos negócios, acrescenta.

Ele se refere ao potencial de economia na redução de custos operacionais, redução nos custos com seguradoras, melhoria no perfil de atuação das empresas e expansão dos negócios. “ A segurança é o ponto de maior preocupação dos embarcadores, atualmente”, enfatiza. “Garantir consistência neste quesito com uma certificação internacional, traz diferenciação  perante a concorrência”, reitera.

Mesmo assim, no Brasil o nível de conhecimento e consciência ainda é iniciante sobre a importância e os benefícios da certificação. Uma realidade bastante diferente da Europa, onde conforme informações da publicação ISO SURVEY (2017), o continente europeu conta com quase 1000 empresas de transportes certificadas, incentivadas principalmente pela segurança nas operações, diminuição dos riscos e custos associados, proteção a vida, entre outras políticas culturais bem presentes na Europa. O Brasil, apesar estar posicionada entre as 5 maiores frotas de veículos pesados do mundo, fechará o ano com apenas 6 transportadoras certificadas na ISO 39001, muito pouco para um país que depende muito da modalidade rodoviária.

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29.10.2019 | Notícias

As facilidades tornaram os patinetes irresistíveis mas exigem soluções rápidas, regras e legislação

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PVST: Em um mundo onde as premissas da mobilidade e da sustentabilidade são amplamente debatidas, os patinetes  elétricos são uma alternativa para o morador das grandes cidades?

Celso Mariano: Sem dúvida. São sim. Especialmente para os pequenos trechos entre o local onde a pessoa está (sua casa, trabalho, escola, etc.) e o ponto do transporte público (ônibus, metrô, ponto de taxi), ou mesmo do estacionamento onde deixou o seu veículo. Esta chamada micro mobilidade encontra no patinete um grande aliado. As bicicletas compartilhadas já têm feito isso, em certa medida.

PVST: Assim como aconteceu com as bicicletas compartilhadas, os patinetes elétricos estão ganhando, cada vez mais, espaço e popularidade nas grandes cidades.  Na sua opinião, quais os pontos a favor e contra desta modalidade de transporte?

Celso Mariano: O patinete, nem a bicicleta, ou os veículos do Uber, são, como veículos, novidade. Nem mesmo colocar motores em patinetes ou bicicletas é coisa nova. O que há de moderno nisso tudo é a combinação destes veículos com um modelo de negócios inovador, além de uma pitada de tecnologia. A facilidade de controlar tudo em um aplicativo instalado num smartphone que já está nas mãos da maioria das pessoas, permitindo pagar por um débito automático, em um cartão de crédito, ou numa conta que recebe créditos prévios, é muito atrativa. E finalmente, nada combina mais com o ritmo agitado e descolado dos dias atuais do que poder pegar e largar o veículo praticamente em qualquer lugar, o chamado dock-free. Por isso tudo, tornaram-se irresistíveis. No caso dos patinetes e das bicicletas, há ainda a enorme vantagem, para muitas pessoas, de não precisar ter uma CNH ou fazer qualquer curso para se beneficiar do produto/serviço. São benefícios reais. Os pontos contrários ficam por conta de uma combinação preocupante de fatores: falta de regras, dificuldade de fiscalizar, falta de infraestrutura e, finalmente, a falta de hábito e cultura dos usuários do serviço e dos outros usuários das vias. Quanto a definição do que pode e do que não pode, certamente qualquer regramento é melhor do que nenhum.

PVST: A morte recente do engenheiro mineiro, que perdeu a vida ao cair do equipamento, reascendeu a discussão sobre o tema. Na sua opinião é mesmo um equipamento polêmico?

Celso Mariano: O tema é polêmico especialmente por tratar-se de uma destas novidades que chegam à galope, embaladas num pacote tecnológico que reinventa um brinquedo, catapultando-o ao nível de veículo, tirando-o dos pátios das casas e dos parques para colocá-lo nas ruas, onde mal conseguimos regrar e controlar os modais tradicionais. Assusta mesmo. E demanda soluções rápidas dos legisladores, dos operadores do trânsito, dos usuários de outros modais e dos próprios usuários. Ou seja, impacta tudo e a todos. Os primeiros acidentes, então, naturalmente chamam a atenção. Mas não é nada que já não esteja acontecendo, há décadas, com outros tipos de veículos. Cuidemos para não cair em distrações, nem usar a novidade para desviar a atenção do problema maior: nosso trânsito é violento. Não somos bons condutores e pedestres. Nem como passageiros somos devidamente civilizados. Por que seríamos em cima de patinetes? Uma parte da polêmica vem de um nervosismo de quem não sabe o que fazer, não sabe como lidar com a novidade. É preciso criar regras claras e aplicáveis, criar infraestrutura adequada e educar todos, não apenas os condutores do patinete. A realidade está nos atropelando. Precisamos reagir com rapidez e precisão. Estamos mais do que atrasados. Mas, justiça seja feita: o mercado não espera, não pergunta, não concede exceções. Apenas faz. Nenhum órgão de trânsito estava realmente preparado, para isso. Nem para alugar carros com motoristas, nem para aluguel de bicicletas ou patinetes por aplicativos.

PVST: Existe ainda muita controvérsia sobre a regulamentação, o que mostra a complexidade sobre o tema. Na sua opinião, qual o caminho?

Celso Mariano: Aqui no Brasil cada cidade está tentando se espelhar nas pioneiras, para não repetir erros. E todos olham o que as grandes cidades mundo afora estão fazendo. Recentemente, ouvi da Diretora da Grow, dona da Green e da Yellow, em um evento em Porto Alegre, que a Portaria em elaboração na capital gaúcha é uma das melhores do mundo. Pode ser. Mas então, concluo, estamos muito longe de ter uma boa solução. O modelo gaúcho realmente tem uma abordagem ampla e bem pensada, mas há muitas lacunas para chegarmos à incorporação do novo modal sem traumas. Não vamos escapar de experimentar e ajustar, observar, analisar, ajustar de novo e refazer este ciclo diversas vezes. O maior problema é a falta de uma infraestrutura adequada. A malha de ciclovias em nossas cidades é, no geral, pífia. Nossas calçadas são ruins até para pedestres, imagine para patinetes. Então, é inevitável considerar patinetes circulando nas vias, compartilhando espaço com carros, motos, ônibus, etc. é um desafio e tanto. Não estamos preparados para tal situação. Nunca usamos patinetes deste jeito. Precisamos aprender.

PVST: Qual a sua opinião sobre a regulamentação e obrigatoriedade de equipamentos de segurança para os usuários das patinetes?

Celso Mariano: Penso que estamos no risco de cometer exageros. De um piloto de moto podemos cobrar o uso do capacete ou de roupas adequadas, porque existe toda uma normatização que já impõe exigências e fiscalização sobre o condutor e sobre o veículo. Mas como fazer qualquer destas coisas com quem anda de patinete ou da bicicleta? Nem veículos, nem, condutores, neste caso, possuem, ou lhes é exigido cursos ou documentação, Renavam, chassi ou placa. Ou seja, é preciso decidir: ou ficam como veículos liberados destas exigências todas, ou teriam que se encaixar no modelo atual aplicado para motos, carros, etc. Lembremos que todo o nosso sistema de controle, fiscalização e punição de condutores e veículos está baseado em CNH, Renavam, chassi e placa. Então, só resta orientar e estimular os condutores de patinetes para que se protejam. Não tem como obrigar, pois não será possível punir quem descumprir tal regra. Nestas horas vemos a imensa falta que faz um processo educativo para o trânsito consistente, robusto, duradouro e eficaz.

PVST: A popularidade dos patinetes, seus benefícios e riscos é também uma questão mundial. Como as grandes metrópoles como Nova York, Londres e Paris estão tratando o tema?

Celso Mariano: Penso que ninguém está sabendo como, exatamente, se deve tratar a questão. O que temos visto são um vai e vem de permissões e de proibições e, tal qual acontece por aqui, muita polêmica. ­­No geral, os países que têm o trânsito mais civilizado, têm menos problemas. Lá fora, as dúvidas e inseguranças são as mesmas. Mas o comportamento dos usuários tende a ser mais respeitoso com a vida quando o assunto é trânsito. Isso significa, que há mais percepção de riscos e mais cidadania. Justamente o que falta por aqui.

PVST: A polêmica sobre o tema tem tendência em reforçar os riscos. Existem estudos sobre os ganhos desta modalidade de transporte urbano com relação à redução de automóveis nas ruas, emissões e congestionamentos?

Celso Mariano: Os poucos estudos a que tive acesso demonstram que sim, há vantagens. O motor elétrico garante que não haverá emissão de CO2 (pelo menos aqui no Brasil, onde o impacto ambiental para produzir energia elétrica fica por conta das áreas alagadas pelas barragens das hidrelétricas). Quanto aos congestionamentos, o patinete, como veículo, tem uma ótima relação do espaço que ocupa na via em relação ao seu usuário, melhor até do que a bicicleta e a moto. Assim, quanto mais patinetes, menos veículos devoradores de espaço. E isso é ótimo para diminuir os congestionamentos. Mas a mais expressiva competência do patinete, como modal, são os deslocamentos em trechos curtos. E isso não libera, necessariamente, o uso dos outros veículos em um mesmo deslocamento. Só o tempo vai dizer o quanto o patinete e a bicicleta vão mesmo reduzir o uso dos automóveis. 

PVST:  Celso, você já teve alguma experiência com patinete?

Celso Mariano:  Já experimentei. Achei muito desconfortável. Tive a mesma sensação quando experimentei uma bicicleta de aluguel. Pneus com calibragem adequada fazem falta, especialmente em piso irregular. Compreendo que os fabricantes têm de optar por um modelo único, focado na média dos gostos e necessidades dos usuários. Não compraria um patinete para usar no dia a dia. Uma bicicleta, sim. Quanto à segurança, a sensação de exposição ao risco nas vias me foi assustadora. Nas ciclovias e calçadas é bem mais tranquilo, neste sentido.