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26.04.2019 | Notícias

Ainda há muito que avançar

OMS aponta progressos insuficientes para redução de mortes no trânsito. O Brasil está entre os países que obtiveram resultados positivos, mas os números ainda são bastante altos.

Faltando apenas dois anos de para terminar a Década de Ação Pela Segurança no Trânsito (2011 -2020) da Organização das Nações Unidas (ONU), o relatório global de segurança viária da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado no final do ano passado, aponta que os progressos para melhorar a segurança viária são insuficientes e que a meta de redução 50% no número de mortes até o final de 2020 pode não ser alcançada.

“Nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (assinado em 2015), os líderes mundiais se comprometeram em reduzir pela metade o número de mortes em acidentes de trânsito até 2020. Este relatório mostra que, três anos depois, muito pouco progresso foi feito. Há uma necessidade urgente de ampliar intervenções e investimentos”, afirma o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O relatório indica que as mortes no trânsito continuam aumentando, com um total anual de 1,35 milhão de mortes, e que as principais vítimas são crianças e jovens entre 5 e 29 anos. Quando a Década de Ação Pela Segurança no Trânsito foi lançada, em 2011, os acidentes de trânsito matavam cerca 1,25 milhões de pessoas no mundo.

Apesar do número total ter aumentado, o relatório documenta que as taxas de mortalidade proporcionais ao tamanho da população mundial se estabilizaram nos últimos anos. Isso sugere que os esforços de segurança viária feitos por alguns países de renda média e alta permitiram amenizar a situação.

O Brasil aparece no relatório como um dos países que tiveram avanço. Os números absolutos de mortes em acidentes passaram de 41.007 em 2015, para 38.651 em 2016.

O avanço do país é atribuído a uma legislação de trânsito forte, desde a promulgação e aplicação do Código Brasileiro de Trânsito, e ao envolvimento do setor de saúde com o tema segurança viária, que permitiu um melhor entendimento da mortalidade provocada por acidentes e um enfrentamento mais eficiente do problema.

“Muitos dos desafios do Brasil, estão relacionados à fiscalização e ao cumprimento das leis existentes, já que sua aplicação efetiva está sujeita a recursos humanos e materiais, mas também a um componente político importante: a decisão dos gestores em fazer valer leis que, embora comprovadamente eficazes, nem sempre são populares”, afirma Victor Pavarino, consultor em Segurança Viária e Mobilidade Sustentável da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)

No entanto, o país ainda tem muito o que avançar. É  apontado no relatório terceiro em números absolutos de mortes no trânsito, com 38.651 óbitos, atrás apenas da Índia, com 150.785 fatalidades, e da China, com 58.022. Considerando a relação de óbitos por 100 mil habitantes, cai para a 63° posição, com uma taxa de 19,7 mortes por 100 mil habitantes. Nas Américas, o país ocupa o 9º lugar.

“A segurança no trânsito é uma questão que não recebe nem de longe a atenção que merece, e é realmente uma das nossas grandes oportunidades para salvar vidas em todo o mundo”, diz Michael R Bloomberg, fundador e CEO da Bloomberg Philanthropies e Embaixador Global da OMS para Doenças e Lesões Não Transmissíveis. “Sabemos quais intervenções funcionam. Políticas fortes e fiscalização, desenho de vias inteligentes e campanhas poderosas de conscientização pública podem salvar milhões de vidas ao longo das próximas décadas”.

De acordo com  informações do relatório,  os principais motivos que levaram países a progredir e a alcançar bons resultados na redução de acidentes, está a adoção de legislação severa para os  principais fatores de riscos, como o excesso de velocidade, dirigir sob o efeito do álcool, não utilização de cintos de segurança, capacetes para motociclistas e sistemas de retenção para crianças (cadeirinhas infantis); infraestrutura mais segura, como calçadas e pistas exclusivas para ciclistas e motociclistas; veículos equipados com tecnologias de segurança, como controle eletrônico de estabilidade e frenagem avançada; e aprimoramento de cuidados de saúde pós-colisão.

Essas medidas contribuíram para a queda das mortes no trânsito em 48 países de renda média e alta. No entanto, nenhum país de baixa renda demonstrou redução de fatalidades, em grande parte por falta dessas medidas. O risco de morte no trânsito continua sendo três vezes maior nos países de baixa renda do que nos países de alta renda, com a maior taxa na África (26,6 por 100.000 habitantes) e a menor na Europa (9,3 por 100.000 habitantes).

 

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